O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o pastor e influenciador Guilherme Batista utilizaram em outubro de 2022 um jato executivo, prefixo PT-PVH, que teria pertencido ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. A aeronave foi empregada durante a campanha eleitoral de 2022, em uma série de viagens que visavam apoiar a candidatura do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os voos ocorreram entre os dias 20 e 28 de outubro, período que antecedeu o segundo turno das eleições presidenciais. A bordo de um Embraer 505 Phenom 300, a dupla percorreu diversas capitais do Nordeste, além de Brasília e cidades de Minas Gerais, com o intuito de cumprir uma agenda de campanha denominada “Juventude pelo Brasil”. A informação sobre o uso da aeronave foi divulgada inicialmente pelo jornal O Globo.
A rota dos voos foi confirmada por meio da análise de sinais de transponder da aeronave, monitorados por ferramentas online, que coincidiram com o trajeto da campanha. Uma fotografia publicada por uma influenciadora cristã nas redes sociais também registrou a presença de Ferreira e Batista em frente à aeronave, reforçando a associação.
O empresário Daniel Vorcaro e outros indivíduos ligados ao Banco Master tornaram-se alvo de investigações da Polícia Federal em novembro de 2023, na Operação Compliance Zero. A operação apura a concessão de créditos fraudulentos pelo banco, com estimativas de perdas que podem atingir R$ 17 bilhões. Vorcaro e outros executivos foram convocados a depor em comissões parlamentares de inquérito.
Em resposta, o deputado Nikolas Ferreira declarou que utilizou a aeronave para compromissos de campanha política sem ter conhecimento prévio da propriedade de Daniel Vorcaro. Segundo o parlamentar, ele só tomou ciência da informação posteriormente e que, na época, não havia motivos para suspeitas sobre o proprietário da aeronave, pois seu nome não era de conhecimento público em relação a qualquer irregularidade.
Por outro lado, a empresa Prime You, responsável pela operação da aeronave Embraer Phenom 300, negou que Daniel Vorcaro seja ou tenha sido proprietário do jatinho. Em nota, a operadora explicou que a aeronave opera sob o regime de táxi aéreo regular, com voos fretados de acordo com as práticas de mercado, sem qualquer vínculo societário ou patrimonial entre os usuários e a aeronave. A empresa ressaltou que Vorcaro teve uma participação minoritária e deixou de ser sócio em setembro de 2025, não tendo vínculo com a estrutura societária atual da companhia. A assessoria da Igreja Lagoinha não comentou a presença do pastor Guilherme Batista no voo.

