À medida que a Copa do Mundo de 2026 se aproxima, um aumento alarmante nas tentativas de fraude relacionadas ao futebol tem acendido um alerta. Um levantamento recente da NordVPN indica que 34% dos brasileiros que utilizam a internet relataram ter sido contatados por golpes ligados ao tema nos últimos dois anos. Este número representa quase o dobro dos 19% registrados no período que antecedeu a Copa de 2022.
O cenário atual é marcado por ataques digitais cada vez mais sofisticados, potencializados pelo uso da inteligência artificial generativa. Essa tecnologia reduziu drasticamente o tempo e o esforço necessários para a criação de golpes e páginas falsas, tornando as ameaças mais rápidas e perigosas. Como reflexo, as reclamações de consumidores em órgãos como o Procon-SP relacionadas à Copa do Mundo mais do que dobraram nos últimos três meses.
A velocidade de execução dos golpes é uma das principais diferenças em relação a 2022. Enquanto anteriormente criminosos levavam mais tempo e exigiam maior conhecimento técnico para montar sites fraudulentos e campanhas de phishing, hoje, com ferramentas de IA acessíveis, esse processo pode ser concluído em poucas horas. Além disso, os criminosos estão utilizando dados vazados, como CPF e histórico de compras, para criar abordagens personalizadas, aumentando a eficácia dos ataques.
Outra mudança significativa está nos métodos de pagamento. Se em 2022 cartões e boletos eram os alvos principais, em 2026 o Pix se tornou central nas fraudes. A instantaneidade das transferências via Pix dificulta a recuperação dos valores após a concretização do golpe, eliminando a janela de reação para as vítimas. Criminosos também têm criado marcas fictícias e se infiltrado em grupos de torcedores para ganhar confiança antes de aplicar seus golpes.
As redes sociais continuam sendo a principal porta de entrada para essas fraudes, com Instagram e WhatsApp liderando a lista de canais mais utilizados pelos golpistas. As modalidades mais comuns incluem apostas ilegais, venda de ingressos falsos e comercialização de produtos falsificados.
As fraudes não se limitam ao ambiente online. O mercado de figurinhas e produtos colecionáveis da Copa também tem sido alvo de golpes, com registros de não entrega, atrasos, ofertas não cumpridas e produtos falsificados ou incompletos. As reclamações sobre figurinhas e álbuns, em particular, tiveram um salto expressivo nos últimos meses.
A popularização da IA também trouxe um novo desafio: a dificuldade crescente em distinguir conteúdos autênticos de materiais manipulados, gerando uma crise de confiança digital. Especialistas recomendam cautela, pesquisa da reputação de vendedores, desconfiança de ofertas muito abaixo do mercado e verificação de informações como CNPJ e dados de contato. Para compras online, é fundamental ignorar gatilhos de urgência, verificar a data de criação de sites e desconfiar de plataformas que aceitam apenas Pix.

