Em um movimento crescente na América Latina, diversas nações têm optado por diminuir o tempo de trabalho semanal de seus cidadãos, buscando um equilíbrio maior entre vida profissional e pessoal. Enquanto o Brasil discute a possibilidade de reduzir a jornada de trabalho e acabar com a escala 6×1, países como Colômbia, Chile e México já implementaram mudanças significativas nesse sentido na última década.
A Colômbia, por exemplo, promulgou em julho de 2021 a redução da jornada de 48 para 42 horas semanais, um processo gradual que se estenderá até julho de 2026. Essa medida, proposta por figuras de centro-direita e apoiada pelo então presidente Iván Duque, foi vista como uma resposta às revoltas sociais de 2019, visando acalmar ânimos e atender a anseios populares sem promover reformas mais profundas. O professor Sebastián Granda Henao, da UFGD, destaca que a iniciativa, alinhada às diretrizes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), contou com o aval do empresariado, em parte por ter sido originada no espectro político de direita.
No México, a transição para uma jornada de 40 horas semanais, a partir das atuais 48, foi sancionada em março deste ano pelo governo da esquerdista Claudia Sheinbaum. Essa reforma, que ocorrerá gradualmente até 2030, reflete um contexto de forte apoio popular e um parlamento favorável, apesar de críticas pontuais do setor empresarial. A redução visa também acompanhar as tendências globais e as recomendações da OIT.
Já no Chile, a jornada foi reduzida de 45 para 40 horas semanais, com implementação em etapas desde abril de 2023, culminando em 2028. Essa mudança é vista como um reflexo direto das intensas revoltas sociais de 2019, que questionaram o modelo neoliberal vigente. A eleição do presidente Gabriel Boric, em 2021, foi um desdobramento desse movimento, e a reforma trabalhista contou com apoio popular e pressão de movimentos sociais e sindicais, apesar da resistência empresarial.
Em contraste, a Argentina, sob a gestão de Javier Milei, tem avançado em direção a jornadas de trabalho mais extensas. No Brasil, a discussão sobre a redução da jornada de 44 horas semanais enfrenta debates acirrados, com divergências entre setores empresariais e estudos sobre os potenciais impactos econômicos da medida.

