Em resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre exportações brasileiras, a Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (ApexBrasil) anunciou um plano robusto de R$ 130 milhões. A iniciativa, com lançamento previsto para agosto, visa diversificar os mercados internacionais para produtos brasileiros e mitigar os efeitos das taxações americanas.
A ApexBrasil, vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), atuará em colaboração com 57 setores econômicos, abrangendo 2,4 mil empresas exportadoras. O objetivo é abrir novos horizontes comerciais e fortalecer a presença do Brasil em outras regiões globais.
Laudemir Müller, presidente da ApexBrasil, explicou que o foco principal será a expansão para mercados como a União Europeia, impulsionada pelo recente acordo com o Mercosul, e países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean), como Indonésia, Malásia e Vietnã, conhecidos por suas elevadas taxas de crescimento.
Mercados na Ásia Central, incluindo Cazaquistão e Uzbequistão, também estão sendo considerados como novas fronteiras para empresas brasileiras, especialmente aquelas afetadas pelas tarifas americanas. Müller destacou o potencial desses países, com economias em expansão e populações jovens e consumidoras, que buscam parcerias e demandam produtos brasileiros.
A decisão dos EUA de impor uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando práticas comerciais desleais, gerou forte reação do governo brasileiro, que considera a medida politicamente motivada. As novas tarifas entraram em vigor em 22 de julho, impactando um volume significativo de exportações.
Apesar dos desafios impostos pelas tarifas, a ApexBrasil já observa resultados positivos na diversificação. Segundo Müller, 72% das empresas apoiadas pela agência que exportam para os EUA já buscaram novos mercados entre junho de 2025 e maio de 2026, adicionando pelo menos um novo destino para suas vendas.
O presidente da ApexBrasil ressaltou que, embora alguns mercados sejam mais acessíveis, outros exigirão um trabalho de médio a longo prazo, incluindo a criação de demanda e a apresentação de produtos brasileiros, como minerais específicos, a potenciais compradores internacionais.
Müller também destacou a imagem positiva do Brasil no cenário global, sendo visto como um fornecedor estável e confiável. O país atraiu US$ 77 bilhões em investimentos no ano passado, registrando um crescimento de 22% em atração de investimentos, o que o posicionou como o quinto maior receptor mundial e o principal destino para investimentos chineses.

