O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal nesta quarta-feira (24) sobre a apreensão de uma arma de fogo em uma blitz com um de seus seguranças. Em sua declaração, Bolsonaro assegurou que em nenhum momento teve a intenção de desrespeitar a legislação vigente.
Segundo o advogado Paulo Cunha Bueno, que acompanhou o depoimento realizado na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, o ex-presidente confirmou ter solicitado a um militar auxílio para o conserto da arma, após constatar que a mesma apresentava defeito e não estava funcionando corretamente.
Em uma publicação nas redes sociais, Bueno enfatizou que não houve “intuito de descumprir qualquer determinação legal” e classificou o episódio como “criminalmente acromático”, indicando ausência de relevância penal.
A defesa de Bolsonaro informou ainda que todas as questões pertinentes ao caso já haviam sido previamente esclarecidas por escrito ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), na semana anterior.
O advogado reiterou que a arma em questão pertence a Bolsonaro, possui registro regular e, na ausência de qualquer determinação para o cancelamento do registro da pistola, “deveria, de fato, estar em seu endereço”. A defesa expressou o desejo de que o inquérito em andamento na Polícia Civil do Distrito Federal seja arquivado em breve.
A arma, uma pistola Glock calibre 9mm, e um carregador sobressalente foram apreendidos em 15 de junho, durante uma blitz em Taguatinga, região administrativa do DF. O motorista do veículo foi conduzido a uma delegacia, onde declarou que a arma lhe foi entregue devido a um problema mecânico.
Ao notificar a defesa para prestar esclarecimentos, o ministro Alexandre de Moraes questionou o motivo pelo qual, “às vésperas do encerramento do período de 90 dias concedidos a título de prisão domiciliar humanitária, o condenado solicitou a realização de um reparo no armamento”.
A decisão sobre a manutenção da prisão domiciliar de Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses no processo da trama golpista e está em prisão domiciliar desde 27 de março, está prevista para ser anunciada por Moraes nesta quinta-feira (25).

