A seleção sul-africana de futebol, conhecida como Bafana Bafana, faz sua estreia na Copa do Mundo 2026 nesta quinta-feira contra o México. Vestindo as cores verde e amarelo, o time evoca uma semelhança superficial com o Brasil, mas as conexões entre as duas nações se aprofundam em esferas socioeconômicas, políticas e diplomáticas.
O ex-técnico Joel Santana, que comandou a África do Sul entre 2008 e 2009, expressou otimismo em relação ao desempenho da equipe. Em entrevista à Agência Brasil, ele destacou a evolução técnica do futebol sul-africano após uma década sem participações em grandes torneios, atribuindo parte desse crescimento à influência brasileira.
Fora dos gramados, a África do Sul busca fortalecer laços de cooperação com o Brasil. Em março, o presidente Cyril Ramaphosa, durante encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Brasília, ressaltou o potencial para ampliar as relações econômicas e comerciais. Ramaphosa destacou que ambos os países são potências industriais em seus respectivos continentes e que o intercâmbio comercial, atualmente estagnado em US$ 2,3 bilhões, deveria atingir US$ 10 bilhões.
Os líderes identificaram setores chave para colaboração, como agricultura, pecuária, energia, mineração e defesa. Acordos recentes já visam o fortalecimento do turismo, com foco no aumento da conectividade aérea e promoção de destinos, além de parcerias técnicas em agropecuária para o enfrentamento de doenças como a febre aftosa e o aprimoramento da vigilância sanitária animal.
A África do Sul tem se posicionado internacionalmente em defesa da paz, alinhando-se ao Brasil em discussões sobre conflitos no Oriente Médio. Especialistas apontam que a experiência sul-africana na superação do apartheid confere ao país uma autoridade moral significativa para condenar violações de direitos humanos e defender soluções pacíficas, inspirando-se em princípios como os das Regras Nelson Mandela, que proíbem a tortura e garantem julgamento justo.
O Brasil, por sua vez, tem um histórico de apoio à luta contra o regime de segregação racial na África do Sul, tendo congelado relações diplomáticas e comerciais nos anos 1970 sob pressão interna e internacional. Essa relação histórica fortaleceu a parceria que se consolidou nos anos 2000, impulsionada pela busca conjunta por desenvolvimento no sul global.
Atualmente, Brasil e África do Sul colaboram em áreas como saúde, combate ao HIV-AIDS, erradicação da pobreza e promoção do desenvolvimento sustentável. A África do Sul, única nação africana a produzir energia nuclear em escala comercial, apoia iniciativas brasileiras, como a criação do Fundo de Florestas Tropicais, e compartilha valores de soberania e independência. A aproximação estratégica visa consolidar democracias, impulsionar o crescimento econômico e aumentar a influência de ambos os países no cenário global.

