O Brasil está buscando ativamente parcerias com nações europeias para a exploração de minerais críticos e terras raras, componentes essenciais para o avanço da transição energética global. A informação foi divulgada pelo embaixador brasileiro na Alemanha, Rodrigo Baena Soares, durante uma coletiva de imprensa em Hannover.
Em um contexto de fortalecimento das relações transatlânticas, especialmente com o Acordo de Livre Comércio entre Mercosul e União Europeia (UE) em vias de implementação, o embaixador destacou a importância da Europa como parceira estratégica. A expectativa é que essas colaborações vão além da simples exportação de matérias-primas, promovendo a transferência de tecnologia e o protagonismo brasileiro na cadeia produtiva.
“É muito importante que não tenhamos um esquema tradicional de apenas exportar minerais brutos”, ressaltou Baena Soares, defendendo a agregação de valor no Brasil, a participação ativa na cadeia de suprimentos e a capacitação de empresas nacionais. O diplomata reconheceu que, apesar de o Brasil possuir vastas reservas de elementos estratégicos, o país ainda precisa avançar na extração e refino.
O Brasil detém reservas significativas de nióbio (94% das globais), grafita (26%) e níquel (12%), além de 23% das reservas mundiais de terras raras. Estes elementos são cruciais para tecnologias de energia limpa, como turbinas eólicas e motores elétricos, bem como para setores de defesa e aeroespacial. No entanto, estudos indicam que, enquanto a produção global desses minerais cresce, o Brasil enfrenta desafios em diversas áreas estratégicas.
A busca por essas parcerias se intensifica no contexto da Hannover Messe, a maior feira de tecnologia industrial do mundo, onde o Brasil será o país parceiro em 2024. O evento, que ocorre em abril, servirá como vitrine para aproximadamente 140 expositores brasileiros e incluirá um evento paralelo focado em minerais críticos, visando apresentar as potencialidades do país.
O embaixador Baena Soares também conectou a iniciativa à aproximação do acordo de livre comércio entre Mercosul e UE. Ele vê a participação na feira e a busca por parcerias como um sinal de que o multilateralismo é a resposta aos desafios globais, em contraposição a ações unilaterais e protecionistas. O acordo, assinado em janeiro, visa a eliminação gradual de tarifas entre os blocos, com o Mercosul zerando tarifas sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, e a UE eliminando tarifas sobre 95% dos bens do Mercosul em até 12 anos.
A Alemanha, em particular, é vista como uma aliada fundamental nesse processo. O embaixador destacou as complementaridades entre Brasil e Alemanha, mencionando o arcabouço regulatório estável do Brasil, sua matriz energética limpa e capacidades industriais. A corrente de comércio entre os dois países atingiu US$ 20,9 bilhões em 2023, com mais de mil empresas alemãs operando no Brasil, que representa um estoque de investimento direto de cerca de 40 bilhões de euros.

