A intensificação dos conflitos entre Israel e o Hezbollah no sul do Líbano tem gerado um cenário de destruição e deslocamento em massa, afetando diretamente a vida de milhares de civis, incluindo brasileiros que residem na região. Em menos de três semanas, mais de 1 milhão de pessoas foram forçadas a deixar suas casas, com relatos de bombardeios intensos, perdas materiais e um clima generalizado de medo e incerteza.
Hussein Melhem, um libanês naturalizado brasileiro de 45 anos que vive na cidade de Tiro, uma das mais afetadas pelos combates, descreveu o momento em que sua família precisou fugir às pressas. “Estava dormindo e a minha esposa me acordou assustada. Parece um terremoto os mísseis passando por cima do prédio direto para Israel. Aí saímos de casa imediatamente apenas com um pouco de roupa”, relatou à Agência Brasil.
Melhem expressou a profunda tristeza e a raiva diante da situação, que o impede de trabalhar em sua padaria e o obriga a gastar suas economias. “Não posso voltar para trabalhar. Não consigo dormir direito por causa da preocupação. O pessoal está muito bravo com tudo isso. Estão cobrando US$ 2 mil dólares por um aluguel. Minha casa própria foi bombardeada”, detalhou.
A destruição de infraestruturas, como pontes, tem dificultado o acesso e o movimento no sul do Líbano, agravando o sofrimento das famílias desabrigadas. Melhem descreveu cenas de grande tristeza nas ruas, com pessoas vivendo em barracas sob chuva e frio. Atualmente, ele e sua família estão em uma casa emprestada, mas a incerteza sobre o futuro é palpável.
Outro brasileiro com fortes laços no Líbano, Aly Bawab, de 58 anos, que reside em Manaus, estava visitando sua família quando os ataques se intensificaram. Ele decidiu deixar a região sul após presenciar um edifício desmoronando devido a um míssil israelense. Em Beirute, onde se encontra, os bombardeios são diários.
“É dia e noite, não tem horário. Hoje tivemos alguns momentos de paz durante o dia, apesar dos aviões militares do inimigo ficarem ultrapassando a velocidade do som para fazer um tipo de explosão no ar e assustar as pessoas”, contou Bawab, que tenta transmitir calma à sua família, apesar do medo constante.
A especialista Beatriz Bissio, historiadora e professora da UFRJ, compara a estratégia de Israel no Líbano com a aplicada em Gaza, descrevendo-a como uma tentativa de repetição de genocídio, especialmente no sul do país. A região, segundo ela, está devastada, com aldeias destruídas e colheitas paralisadas, mas a população demonstra uma resiliência notável.
As Forças de Defesa de Israel (FDI) afirmam ter atingido cerca de 2 mil alvos no Líbano e eliminado 570 membros do Hezbollah desde 2 de março. O Hezbollah, por sua vez, relata a realização de inúmeros ataques contra alvos israelenses, intensificando a escalada de violência no Oriente Médio.

