O consórcio MEZ-RZK Novo Centro foi o vencedor do leilão para a construção e operação do futuro centro administrativo do governo de São Paulo, realizado nesta quinta-feira (26) na B3, em São Paulo. A proposta do grupo, formado pelas empresas Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property, incluiu um deságio de 9,62% sobre o valor máximo de R$ 76,6 milhões da contraprestação pública mensal.
O projeto, que tem um investimento estimado em R$ 6 bilhões, prevê a construção de sete edifícios e dez torres na região dos Campos Elíseos, centralizando secretarias e órgãos estaduais que atualmente estão dispersos em mais de 40 locais. A concessão abrange a obra, operação e manutenção do complexo por um período de 30 anos, incluindo serviços como limpeza e segurança.
O governador Tarcísio de Freitas destacou que o empreendimento representa um passo significativo para a revitalização do centro de São Paulo e para a eficiência administrativa do estado, reunindo cerca de 22 mil servidores em um único local. Ele também mencionou que o projeto se alinha aos esforços de recuperação urbana da região, incluindo a área da Cracolândia.
O leilão ocorreu sob forte esquema de segurança, com manifestações de movimentos sociais como a Frente de Luta por Moradia (FLM) e a União dos Movimentos de Moradia (UMM) nas proximidades. Os grupos expressaram preocupação com a possibilidade de desapropriações, remoção de famílias e gentrificação na área.
Moradores da região também manifestaram suas apreensões. Uma residente questionou o governador sobre a falta de diálogo com a comunidade e os impactos da valorização imobiliária sobre os moradores de baixa renda. Em resposta, Tarcísio de Freitas afirmou que desapropriações serão tratadas individualmente, com indenizações justas e apoio para reassentamento, em conformidade com a legislação vigente.
O plano do novo centro administrativo inclui o restauro de 17 imóveis tombados, a ampliação do Parque Princesa Isabel, a criação de áreas para comércio e serviços, e a construção de um novo terminal de ônibus. A expectativa é que a obra gere aproximadamente 38 mil empregos diretos e indiretos durante a construção e cerca de 2,8 mil vagas permanentes após a inauguração.

