As transações externas do país apresentaram um saldo negativo de US$ 68,791 bilhões em 2025, representando 3,02% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo o Banco Central (BC), este resultado é semelhante ao do ano anterior, quando o déficit nas contas externas foi de US$ 66,168 bilhões (3,03% do PIB).
Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, explicou que as transações correntes mostraram uma tendência de aumento do déficit até fevereiro de 2025, impulsionadas pela demanda interna. No entanto, o cenário se estabilizou nos meses seguintes, com uma redução observada em dezembro. Este déficit anual é o maior desde 2014, quando atingiu US$ 110,5 bilhões.
Apesar do saldo negativo, Rocha destacou que o déficit externo foi adequadamente financiado por capitais de longo prazo, com destaque para os Investimentos Diretos no País (IDP), que totalizaram US$ 77,676 bilhões em 2025. Ele enfatizou que esses fluxos de investimento possuem boa qualidade e reforçam a solidez das contas externas brasileiras.
O chefe de estatísticas também ressaltou o crescimento da corrente comercial em 2025, com recordes tanto nas exportações quanto nas importações, indicando uma maior inserção do país na economia global. Isso resultou em uma leve redução no superávit comercial, que ficou em US$ 5,9 bilhões. A conta de serviços apresentou um déficit menor em US$ 2,2 bilhões, e a renda secundária registrou um superávit maior em US$ 1 bilhão. O déficit em renda primária, relacionado a juros e lucros de empresas, manteve-se estável em comparação com 2024.
Em dezembro de 2025, o resultado das transações correntes foi negativo em US$ 3,363 bilhões, uma melhora significativa em relação ao déficit de US$ 10,237 bilhões registrado em dezembro de 2024. Este foi o menor déficit para meses de dezembro desde 2015, impulsionado pelo aumento de superávits e redução de déficits em diversos componentes da conta de pagamentos, especialmente na balança comercial, que cresceu US$ 4,7 bilhões.
No acumulado de 2025, as exportações de bens alcançaram US$ 350,899 bilhões, um aumento de 3,2% em relação ao ano anterior, enquanto as importações somaram US$ 290,947 bilhões, com alta de 6,2%. A balança comercial fechou o ano com um superávit de US$ 59,952 bilhões, 8,9% inferior ao saldo positivo de US$ 65,842 bilhões em 2024.
O déficit na conta de serviços diminuiu 4,1% em 2025, totalizando US$ 52,940 bilhões. Uma das razões para essa redução foi a exclusão das transações de apostas online do balanço de pagamentos externo, após a regulamentação que as tornou empresas residentes. Houve também um aumento de US$ 1,1 bilhão nas receitas líquidas de serviços financeiros, embora as despesas com serviços de propriedade intelectual e de telecomunicações tenham aumentado.
O déficit em renda primária permaneceu em US$ 81,347 bilhões em 2025, refletindo o padrão de maiores investimentos estrangeiros no Brasil. Já a conta de renda secundária apresentou um superávit de US$ 5,543 bilhões, superior ao de US$ 4,505 bilhões em 2024.
O financiamento do déficit externo em 2025 contou com um aumento de 4,8% nos ingressos líquidos de Investimentos Diretos no País (IDP), que atingiram US$ 77,676 bilhões. Além do IDP, investimentos em títulos de renda fixa também contribuíram para o financiamento externo, com entradas líquidas de US$ 15,284 bilhões em títulos de dívida. As reservas internacionais do país encerraram 2025 em US$ 358,234 bilhões, um aumento em relação aos US$ 329,730 bilhões de final de 2024.

