A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado aprovou nesta quarta-feira (25) a convocação de figuras proeminentes para aprofundar as investigações sobre fraudes financeiras. Entre os convocados está Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que é investigado por supostas fraudes que podem somar entre R$ 17 e R$ 50 bilhões. A CPI também determinou a quebra dos sigilos fiscal e bancário do Banco Master e de seus sócios.
A nova fase da investigação, segundo o presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), visa expandir o escopo do combate ao crime organizado, indo além das ações pontuais e alcançando “esquemas do andar de cima”. A comissão também solicitou a quebra dos sigilos da Reag Investimentos, empresa liquidada pelo Banco Central por suspeitas de envolvimento nas fraudes do Banco Master.
Outras personalidades foram convocadas, incluindo os ex-ministros da Cidadania do governo Bolsonaro, João Roma e Ronaldo Vieira Remo. O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) justificou a convocação de Roma e Remo pela suposta proximidade com Daniel Vorcaro e por ligações com o Banco Pleno, que também foi liquidado pelo Banco Central.
A CPI também aprovou o convite para que o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ex-ministro da Fazenda, Paulo Guedes, compareçam à comissão. O pedido de convocação de Campos Neto, apresentado pelo senador Jaques Wagner (PT-BA), foca na desregulação do mercado financeiro durante o governo Bolsonaro. A senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) destacou que a autorização para a transferência de controle do Banco Máxima para Daniel Vorcaro ocorreu durante a gestão de Campos Neto no BC, em 2019.
A convocação de Paulo Guedes, por sua vez, busca investigar se as políticas de desregulação implementadas entre 2019 e 2022 criaram um ambiente propício à lavagem de dinheiro. O senador Randolfe Rodrigues argumentou que tais políticas, sob o pretexto de modernização, podem ter fragilizado os mecanismos de controle do sistema financeiro.
A oposição manifestou críticas às convocações de Campos Neto e Guedes, alegando motivação político-eleitoral. Senadores como Marco Rogério (PL-RO) e Sérgio Moro (União-PR) defenderam os convocados, afirmando que não há evidências de envolvimento direto com o Banco Master e que as convocações serviriam a propósitos políticos.
A comissão também aprovou convites opcionais aos ministros do STF Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, todos no contexto da investigação do Banco Master. Por outro lado, requerimentos para a convocação da administradora Letícia Caetano dos Reis e do ex-ministro do Trabalho José Carlos Oliveira foram rejeitados.

