A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) encerrou suas atividades sem a aprovação de um relatório final. Após sete meses de investigações, a comissão votou pela rejeição do relatório apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL), com 19 votos contrários contra 12 a favor. A votação ocorreu na madrugada de sábado, no último dia de funcionamento da comissão.
O relatório de Gaspar, com mais de 4 mil páginas, apontava a existência de núcleos técnico, administrativo, financeiro, empresarial e político envolvidos na movimentação de bilhões de reais através de descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Segundo o texto, o esquema de fraudes cresceu com a “cumplicidade ativa ou a omissão conveniente” de responsáveis dentro do próprio INSS.
Alfredo Gaspar havia solicitado o indiciamento de 216 pessoas, incluindo ex-dirigentes do INSS e da Dataprev, ex-ministros, parlamentares e representantes de entidades associativas. Entre os nomes citados estava Fábio Luiz Lula da Silva, filho do presidente Lula, por suposto envolvimento com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes. O relatório pedia o indiciamento de Fábio Lula em crimes como tráfico de influência, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O relatório também incluía pedidos de indiciamento para o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; os ex-ministros da Previdência José Carlos Oliveira e Carlos Lupi; o senador Weverton Rocha (PDT-MA); e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE). Em contrapartida, o líder do governo na CPMI, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), apresentou um relatório paralelo com pedido de 130 indiciamentos, destacando o ex-presidente Jair Bolsonaro como líder de uma organização criminosa.
Durante os debates, parlamentares de situação e oposição trocaram acusações e críticas, abordando temas como a origem das fraudes, a blindagem de investigações e decisões judiciais. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou que o relatório rejeitado será encaminhado aos órgãos competentes, como a Polícia Federal e o Supremo Tribunal Federal, para que as investigações continuem em outras instâncias.

