A operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (10/9) contra a produtora do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. A ação representa mais um capítulo do embate que atravessa a Suprema Corte em torno do caso.
Dino foi sorteado relator da investigação sobre as emendas parlamentares enviadas à ONG da empresária Karina da Gama, sócia da produtora do filme. Já o ministro André Mendonça é responsável pela relatoria do inquérito que apura repasses milionários do banqueiro Daniel Vorcaro à produção da cinebiografia. Nesta quarta-feira (9/9), Mendonça homologou o acordo de delação premiada do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”, conforme revelou o colunista Igor Gadelha, do Metrópoles. Mineiro é dono da Entre Investimentos, empresa utilizada por Vorcaro para repassar recursos ao “Dark Horse”.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) já demonstravam temor em relação à atuação de Dino no caso. Na quarta-feira, ao determinar o retorno de Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal, o ministro citou em sua decisão a cinebiografia de Bolsonaro. O afastamento do diretor-geral da corporação havia sido determinado anteriormente por Mendonça.
Em meio à disputa entre os dois magistrados, o presidente do STF, Edson Fachin, suspendeu no início da tarde de quarta-feira as decisões de ambos, em uma tentativa de conter o embate dentro da Corte.

