A economia do Brasil registrou um leve avanço de 0,1% entre março e abril, segundo a prévia do Monitor do PIB divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV). O resultado, que considera o Produto Interno Bruto (PIB) em sua concepção mais ampla, demonstra a capacidade de resiliência do país em um contexto desafiador, marcado por taxas de juros elevadas e flutuações nos preços internacionais do petróleo.
Na comparação anual, o crescimento foi mais expressivo, atingindo 1,8% em relação a abril de 2025. No acumulado de 12 meses, a expansão econômica chega a 2%. O estudo da FGV, que abrange os setores da indústria, comércio, serviços e agropecuária, destaca que a maioria dos componentes econômicos apresentou desempenho positivo, contrariando as expectativas de um cenário mais retraído.
Juliana Trece, economista responsável pela pesquisa no Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV, atribui a estabilidade a uma combinação de fatores, incluindo a resiliência interna e a capacidade de adaptação diante de obstáculos externos. “A maior parte dos componentes da economia teve desempenho positivo, indicando certa resiliência em meio ao cenário de juros elevados e aumento do preço do barril do petróleo, como uma das consequências da guerra no Oriente Médio”, explicou.
O cenário de juros altos, com a taxa Selic praticamente em 14,75% durante a maior parte de abril, tem sido a principal ferramenta do Banco Central para o controle da inflação. No final do mês, houve um corte de 0,25 ponto percentual, seguido por outro similar recentemente, que levou a taxa a 14,25%. Essa cautela nas reduções acompanha a preocupação com o impacto do conflito no Oriente Médio nos preços globais de energia, que se refletiram nos custos de combustíveis no Brasil.
A pesquisa também aponta para um desempenho positivo em setores específicos. O consumo das famílias cresceu 2,6% no trimestre móvel terminado em abril, o maior avanço desde fevereiro de 2025. As exportações registraram alta de 9,3%, impulsionadas em grande parte pelo setor extrativo, que expandiu 27,8%. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), que representa os investimentos em máquinas e equipamentos, apresentou uma recuperação, com expansão de 0,7% no trimestre, sendo a primeira alta após quatro trimestres de queda.
Em termos monetários, o PIB acumulado no ano até abril foi estimado em R$ 4,376 trilhões. Esses dados preliminares servem como um importante indicador da atividade econômica, complementando outros levantamentos como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que também sinalizou expansão em abril. O resultado oficial do PIB será divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base nos dados do segundo trimestre de 2026, com divulgação prevista para 1º de setembro.

