O economista Eduardo Giannetti sinaliza o declínio da hiperglobalização, marcada por rotas comerciais instáveis e tensões tarifárias globais, como o Estreito de Ormuz e a guerra comercial liderada pelos EUA. Esses eventos indicam uma mudança significativa na ordem econômica mundial.
Em entrevista, Giannetti explicou que a dependência de poucos fornecedores para produtos essenciais, como os chips de Taiwan, impulsiona uma busca por diversificação e segurança nas cadeias de suprimentos. A lógica da hiperglobalização, focada em custos baixos e eficiência concentrada, está sendo substituída por novas prioridades.
O especialista relaciona o fim desta era a crises como a financeira de 2008 e a pandemia de Covid-19, destacando a crescente financeirização. Ele compara o cenário atual com o passado, onde a proporção de ativos financeiros em relação ao PIB era muito menor.
Um fator crucial para Giannetti foi a ascensão de centenas de milhões de trabalhadores asiáticos no mercado de trabalho e de consumo. Essa integração, embora tenha tirado populações da miséria, gerou instabilidade social e política no ocidente, impactando o poder de barganha da classe trabalhadora local.
A ascensão da extrema-direita em diversos países é vista pelo economista como um reflexo do ressentimento da classe trabalhadora e média ocidental com a perda de segurança e influência. Ele traça paralelos com a década de 1930, quando fenômenos políticos semelhantes ocorreram globalmente.
Nesse novo cenário, o Brasil surge com uma oportunidade histórica. Com a demanda mundial por segurança e diversificação, o país pode alavancar seus recursos naturais, ambientais e matérias-primas. A biodiversidade, em particular, oferece um potencial para atender à crescente necessidade global por alimentos e minerais críticos.
Giannetti ressalta a importância de industrializar esses recursos para evitar a exportação de produtos primários in natura. A disputa entre potências pelo acesso a esses bens pode favorecer o Brasil, permitindo negociações mais vantajosas.
Além da crise da hiperglobalização, o economista aponta as mudanças climáticas como a maior ameaça civilizatória do século XXI. Ele critica o negacionismo e alerta que a inação governamental diante dos eventos climáticos extremos é insustentável, com custos que se agravarão se medidas preventivas não forem adotadas.

