O depoimento da empresária Ingrid Pikinskeni Morais Santos na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS foi interrompido abruptamente nesta terça-feira (12) após a testemunha passar mal. O mal-estar ocorreu durante o questionamento do relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
Diante da situação, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), suspendeu os trabalhos para que Ingrid Santos recebesse atendimento médico da equipe do Senado. A empresária deixou a sessão antes do término de sua oitiva.
Ingrid Santos foi convocada para depor após a ausência de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que informou que não compareceria à comissão. A empresária é esposa e sócia de Cícero Marcelino de Souza Santos, ambos ligados à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer). A entidade é suspeita de ter se beneficiado de mais de R$ 100 milhões provenientes de descontos irregulares em benefícios previdenciários.
Segundo as investigações da CPMI, parte dos recursos desviados teria sido movimentada em contas de empresas das quais Ingrid Santos figurava como sócia. O relator da comissão, Alfredo Gaspar, destacou que a depoente teria recebido mais de R$ 13 milhões, que seriam provenientes de aposentados e pensionistas. Ele enfatizou a gravidade do crime e o objetivo de responsabilizar todos os envolvidos no prejuízo bilionário.
Antes de seu depoimento, a empresária obteve um habeas corpus concedido pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que a autorizava a permanecer em silêncio durante a oitiva. Ingrid Santos foi questionada sobre as atividades de seu marido e seu conhecimento a respeito do envolvimento das empresas no esquema de descontos indevidos do INSS. Ela alegou não ter conhecimento sobre a gestão das empresas, que, segundo ela, era de responsabilidade de Cícero Santos, e expressou surpresa com a situação.
Em outro ponto, o presidente da CPMI, Carlos Viana, informou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para reverter uma decisão do ministro André Mendonça que desobrigou o banqueiro Daniel Vorcaro de comparecer à comissão. Vorcaro, que está em prisão domiciliar, era esperado para prestar esclarecimentos sobre irregularidades em empréstimos consignados e os prejuízos causados a beneficiários do INSS, especialmente no contexto do acordo de cooperação técnica entre o Banco Master e o instituto.
Adicionalmente, Viana reiterou que solicitou a prorrogação dos trabalhos da CPMI por, no mínimo, 60 dias. Um pedido formal já foi protocolado, mas aguarda decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Sem uma resposta até o momento, o senador cogita recorrer ao STF para garantir a continuidade das investigações, iniciadas em 20 de agosto.

