Especialistas em direitos humanos das Nações Unidas (ONU) emitiram um alerta nesta quinta-feira (6) sobre a possibilidade de uma “Gaza silenciosa” se formar em Cuba, condenando as recentes ações dos Estados Unidos e apelando por uma intervenção internacional urgente.
Os relatores da ONU enfatizaram que a privação de alimentos como ferramenta de pressão política é inaceitável. “Alimentos nunca devem ser usados como instrumento de pressão política. Medidas que, conscientemente, privam uma população dos meios de sobrevivência atentam contra as garantias mais básicas do direito à vida e prejudicam a essência da dignidade humana”, declararam em nota oficial.
As declarações surgem em um contexto de crescente tensão, onde o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, acusou Washington de praticar “genocídio político” devido ao embargo petrolífero e ao endurecimento das sanções. Ele solicitou o fim do bloqueio e expressou gratidão à comunidade internacional pela ajuda humanitária enviada à ilha.
Díaz-Canel também dirigiu uma mensagem de paz, distinguindo o povo norte-americano daqueles que impõem políticas restritivas. “Que Cuba viva em paz, e que também vivam em paz os mais nobres do povo norte-americano, que historicamente lutaram pelos direitos humanos de outros povos, sem esperar reconhecimento e muitas vezes enfrentando perseguição, prisão e riscos à própria vida”, afirmou.
A economia cubana tem enfrentado uma crise severa, levando empresas internacionais a suspenderem suas atividades no país. Apagões frequentes e a escassez de combustível impactaram a rede elétrica, o transporte público e até mesmo o calendário escolar, que teve seu ano letivo encurtado. Os Estados Unidos, por sua vez, atribuem a crise à má gestão econômica e à falta de investimentos por parte do governo cubano.
.

