Um levantamento recente revela que as famílias brasileiras registraram perdas líquidas de R$ 62,5 bilhões em casas de apostas online no ano passado. Este valor representa a diferença entre o montante apostado e os prêmios recebidos, configurando uma média mensal de R$ 4,7 bilhões entre outubro de 2024 e março de 2026.
As perdas financeiras equivalem a 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias. Os dados, compilados pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) com base em estatísticas do Banco Central, consideram as transferências realizadas via Pix para o setor. Nesse mesmo período, as plataformas de apostas movimentaram cerca de R$ 351 bilhões através de transações Pix.
Desde a regulamentação das apostas esportivas em janeiro do ano passado, observou-se uma alteração no fluxo de dinheiro via Pix direcionado a atividades de arte, cultura, esporte e lazer. Especialistas apontam que isso pode indicar um aumento no comprometimento da renda familiar com jogos de azar.
A legislação vigente prevê que as empresas de apostas bloqueiem o acesso de usuários diagnosticados com ludopatia, ou vício em jogos. No entanto, o advogado Júlio Leone aponta que a prática não tem sido efetiva. Segundo ele, em vez de bloquear contas de apostadores compulsivos, os algoritmos frequentemente oferecem bônus e incentivos, o que pode agravar a perda de capital.
O estudo do Comsefaz também aponta uma desaceleração no volume de transações desde que a proibição de apostas para beneficiários do Bolsa Família entrou em vigor, em outubro do ano passado. Essa constatação sugere que a medida teve um impacto real no mercado, indicando uma participação considerável de famílias de menor renda nesse segmento.

