O governo dos Estados Unidos anunciou que designará as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO). A medida, oficializada pelo Departamento de Estado, entrará em vigor a partir de 5 de junho, baseada na Lei de Imigração e Nacionalidade dos EUA e em uma ordem executiva do ex-presidente Donald Trump.
Segundo o comunicado oficial, o CV e o PCC são reconhecidos como duas das mais violentas organizações criminosas do Brasil, com milhares de membros e responsáveis por ataques contra autoridades e civis. A influência dessas facções se estende para além das fronteiras brasileiras, afetando a região e os próprios Estados Unidos, conforme destacou o secretário de Estado americano.
A decisão americana gera preocupações no Brasil quanto à soberania nacional. O governo brasileiro vinha buscando evitar essa designação, receoso de que ela pudesse abrir precedentes para ações militares ou sanções econômicas severas por parte dos EUA. Especialistas alertam que a classificação como FTO pode comprometer a cooperação investigativa entre os países, alterando o nível de sigilo das informações compartilhadas entre os órgãos de segurança.
A política externa dos EUA sob o mandato de Trump tem focado no combate ao que denomina “narcoterrorismo” na América Latina. Essa reorientação já resultou em ações militares americanas em outras regiões, como o bombardeio de embarcações no Caribe e a intervenção na Venezuela. A possibilidade de ações semelhantes em território brasileiro, embora incerta, é vista como um risco real.
O anúncio ocorre em um momento de discussões diplomáticas recentes. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva esteve nos EUA recentemente para discutir o combate a organizações criminosas transnacionais com Donald Trump. Paralelamente, houve um encontro entre o secretário de Estado americano e o senador Flávio Bolsonaro em Washington, após reunião do senador com Trump.

