A guerra no Oriente Médio se intensifica com ações militares coordenadas no Líbano e no Iraque que têm surpreendido Israel e os Estados Unidos, em um cenário de crescente tensão com o Irã. No sul do Líbano, o Hezbollah tem mantido uma ofensiva diária contra alvos israelenses, anunciando a destruição de dezenas de tanques Merkava e realizando um número expressivo de operações em curtos períodos.
Paralelamente, no Iraque, milícias xiitas pró-Irã têm intensificado a pressão pela retirada das tropas americanas. O governo iraquiano, liderado pelo primeiro-ministro Mohammed Shia al-Sudani, elevou o tom contra os EUA após ataques a quartéis-generais e clínicas ocupadas por milícias, que resultaram na morte de combatentes. Bagdá autorizou as Forças de Mobilização Popular (FMP) a se defenderem e apresentou um protesto formal a Washington.
A Resistência Islâmica no Iraque, um conglomerado de grupos armados alinhados ao Irã, tem reivindicado ataques com drones e mísseis contra bases e a embaixada americana em Bagdá, levando à emissão de alertas de segurança para cidadãos americanos no país. A Embaixada dos EUA emitiu comunicados recomendando cautela devido ao risco contínuo de ataques aéreos.
Especialistas avaliam que o Irã se encontra em uma posição estratégica favorável. Danny Zahreddine, professor de relações internacionais, destaca que a reativação da frente libanesa dividiu as forças israelenses, enquanto o enfraquecimento da presença americana no Iraque fortalece o Irã simbolicamente e em sua capacidade defensiva. O major-general português Agostinho Costa corrobora essa visão, apontando que o Irã demonstrou soluções inovadoras em mísseis, drones e táticas marítimas que desafiam o poder aéreo de EUA e Israel, levando os adversários a um impasse.
No Líbano, a capacidade de resistência do Hezbollah tem impedido Israel de avançar em direção ao Rio Litani. A utilização de drones FPV pelo Hezbollah tem se mostrado particularmente eficaz contra blindados israelenses, explorando vulnerabilidades nas unidades que compõem a espinha dorsal das ofensivas de Tel Aviv. A coordenação entre os ataques do Hezbollah e os mísseis iranianos aumenta a pressão sobre os sistemas de defesa israelenses, que já exibem fragilidades.
Embora Israel reporte altas taxas de interceptação de mísseis, a entrada de uma pequena porcentagem desses projéteis em território israelense pode causar danos estratégicos significativos. A dificuldade em repor equipamentos antiaéreos e a capacidade de lançamento a partir de locais subterrâneos e móveis no Irã sugerem uma resiliência ofensiva notável, mesmo diante de bombardeios. A contínua capacidade de penetração de armas iranianas no espaço aéreo do Golfo e em Israel, após semanas de conflito, evidencia a robustez de sua estrutura militar e capacidade de resposta.

