O governo do ex-presidente Donald Trump argumenta que um cessar-fogo negociado em abril suspendeu o prazo de 60 dias para a condução de hostilidades sem autorização do Congresso, um prazo que se encerra nesta sexta-feira (1). A alegação foi apresentada pelo então Secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante uma audiência no Comitê de Serviços Armados do Senado.
Hegseth declarou que, na visão do governo, um cessar-fogo ativo interrompe a contagem do prazo de 60 dias, que, segundo a Resolução dos Poderes de Guerra de 1973, poderia ser estendido por mais 30 dias mediante certificação escrita do presidente ao Legislativo sobre necessidade militar.
A interpretação do governo foi questionada pelo senador democrata Tim Kaine, que defende que o prazo legal se encerra nesta sexta-feira, representando um ponto crítico para a administração. Parlamentares democratas e alguns republicanos têm pressionado por uma solicitação formal de extensão e justificativa para o conflito.
Apesar de seis tentativas de barrar o conflito terem sido rejeitadas no Congresso pela maioria republicana, a oposição busca questionar a legalidade da ação. O Presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, afirmou que os EUA não estão em guerra ativa com o Irã, mas sim buscando negociar a paz.
Juristas, como o professor James N. Green da Universidade de Brown, levantam dúvidas sobre a interpretação governamental, antecipando que a questão pode ser levada à Suprema Corte. Green sugere que uma decisão favorável a Trump poderia, paradoxalmente, fortalecer o movimento antiguerra e beneficiar os democratas nas eleições de novembro.
O descontentamento com a guerra, somado ao aumento dos preços dos combustíveis — influenciado pelo fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã —, tem crescido mesmo dentro do partido republicano. A senadora republicana Susan Collins, por exemplo, mudou seu voto para apoiar restrições aos poderes presidenciais, citando preocupações eleitorais e a falta de evidências de ameaça iminente por parte do Irã.
Pesquisas de opinião nos EUA indicam que mais de 60% da população se opõe à guerra, principalmente devido ao impacto no preço dos combustíveis, que afeta diretamente o cotidiano dos cidadãos. O preço médio do galão de gasolina atingiu um pico significativo, com o valor na Califórnia chegando a US$ 6,06, o mais alto em quatro anos, segundo dados da AAA Fuel Prices.

