O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) está intensificando o monitoramento das cadeias de suprimentos que podem ser afetadas pela recente escalada de tensões no Oriente Médio. A iniciativa visa mitigar os impactos da guerra na Ucrânia e outros conflitos regionais sobre o setor agrícola brasileiro.
Fertilizantes, essenciais para a produção agrícola, estão entre os insumos sob observação atenta. A Rússia, por exemplo, já havia interrompido temporariamente a exportação de nitrato de amônio para o Brasil, uma medida que reflete a volatilidade gerada pelo conflito europeu.
A instabilidade internacional, que se arrasta há algum tempo, tem sido um fator de pressão sobre os preços e intensificado a busca global por insumos agrícolas. Para evitar que produtores rurais brasileiros sejam ainda mais prejudicados, o Mapa tem mantido um diálogo constante com representantes do setor. O objetivo é avaliar alternativas de logística, importação e desenvolver estratégias que assegurem o abastecimento contínuo e seguro para o país.
O Brasil, que depende da importação de uma parcela significativa de seus fertilizantes, tem alertado o mercado e os agricultores sobre a necessidade de cautela. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, destacou que a instabilidade tem alimentado movimentos especulativos, elevando artificialmente os preços. Segundo ele, a melhor estratégia é evitar compras em momentos de preços inflacionados.
Fávaro explicou que a safra de inverno já foi plantada ou está em fase final, reduzindo a necessidade imediata de fertilizantes. A próxima demanda significativa está prevista para setembro, com o início do plantio da safra de verão, o que confere ao mercado tempo para se ajustar. “A orientação neste momento é aguardar o desenrolar do cenário internacional e evitar compras precipitadas”, aconselhou o ministro.
Ele também ressaltou que o setor dispõe de alternativas tecnológicas e práticas de manejo que podem otimizar o uso de nutrientes, minimizando os efeitos de oscilações de preços no mercado externo. Contudo, analistas alertam para os riscos globais. Marco Fernandes, do Conselho Popular do Brics, aponta que o Estreito de Ormuz, rota vital para o transporte de fertilizantes, pode se tornar um ponto de estrangulamento, gerando uma crise de produção e potencial alta nos preços dos alimentos em escala mundial, com consequências humanitárias graves.

