O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (24/9) que “amigo de presidente é o povo” e não o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A declaração foi feita durante evento em Nova Iguaçu (RJ) sobre as obras de ampliação e modernização da Rodovia Presidente Dutra (BR-116).
Em discurso, Lula criticou o que classificou como uma cultura de governar em benefício de aliados. Segundo o presidente, recursos públicos devem ser destinados à população, independentemente da relação política entre governantes.
“É preciso mudar o jeito de governar o país, sempre levando em conta que algum benefício e qualquer benefício tem que ser feito em prol do povo, não em prol dos amigos. Quem é amigo de presidente é o povo, não é o Vorcaro, dono do Banco Master”, disse.
A menção do petista ao ex-banqueiro se deu ao comentar que investimentos do governo federal também devem ser realizados em municípios comandados por adversários políticos. O chefe do Executivo enfatizou que o evento se tratava de um ato institucional, e não de campanha eleitoral, e afirmou que o governo federal tem feito investimentos bilionários em infraestrutura no Rio de Janeiro, citando as intervenções na Dutra.
Notícia-crime de Flávio Bolsonaro
A declaração de Lula sobre Vorcaro se dá um dia depois de a defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) apresentar ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma notícia-crime contra o presidente, em que pede a abertura de investigação por suposta prática de corrupção passiva e advocacia administrativa no caso Master. O documento foi encaminhado ao ministro André Mendonça.
O pedido se baseia em mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, nas quais o então advogado do empresário, Walfrido Warde, relata conversas com Lula e integrantes do governo federal. Em uma das mensagens, Warde afirma que Lula teria agradecido por um uísque dado por Vorcaro. O diálogo é de janeiro de 2025, um mês depois de uma reunião entre os dois no Planalto.
Em nota enviada à CNN, a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) afirmou que Lula não recebeu presente de Vorcaro, desconhece a suposta articulação de Warde e não teve outros contatos com o ex-banqueiro além de um encontro em dezembro de 2024.
Na petição, os advogados de Flávio sustentam que o suposto recebimento do presente pode configurar vantagem indevida e pedem que se apure se houve contrapartida por parte de Lula. Também apontam suspeita de que o presidente tenha usado o cargo para favorecer interesses privados de Vorcaro e do Banco Master junto ao governo federal.

