O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no jornal The Washington Post neste domingo (26), no qual critica veementemente as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Lula rebateu os argumentos que justificaram a taxação, argumentando que as medidas prejudicam não apenas a economia brasileira, mas também a norte-americana, e declarou que “o Brasil não será derrotado com base em mentiras”.
Na sua análise, o presidente brasileiro apontou um viés ideológico na decisão dos EUA, sugerindo que o objetivo seria interferir na política interna do Brasil e nas eleições deste ano. O texto, escrito em português, foi compartilhado nas redes sociais do presidente.
Lula fez referência às declarações de Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, que no início de junho listou o Brasil fora do grupo de países considerados aliados dos EUA na América Latina. O presidente brasileiro reforçou o argumento de que a relação comercial entre os dois países é superavitária para os EUA, e que o Brasil buscará novos parceiros comerciais globalmente. Ele alertou que, a médio prazo, as tarifas desorganizarão cadeias produtivas integradas, levando empresas brasileiras a substituírem fornecedores americanos por outros parceiros.
O artigo rebate as justificativas do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que em julho impôs uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros, incluindo ferro, aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol e produtos farmacêuticos. O USTR alegou que práticas brasileiras prejudicavam exportadores e agricultores americanos. Lula classificou as tarifas como um “erro estratégico”, afirmando que elas impactam negativamente a economia dos EUA, uma vez que diversos setores industriais americanos dependem de insumos brasileiros. Consequentemente, produtos como alimentos, calçados e autopeças se tornarão mais caros para o consumidor norte-americano.
Adicionalmente, Lula defendeu as ações do Brasil no combate ao desmatamento, a legislação sobre crimes cibernéticos e o sistema de pagamentos Pix, todos pontos que foram alvo de críticas por parte do governo americano. O presidente concluiu reafirmando a disposição do Brasil para o diálogo, sob a premissa de reciprocidade e respeito à soberania nacional: “Respeitamos a soberania de outros Estados e negociamos com todos aqueles que saibam respeitar a nossa. A reciprocidade é a base de toda relação entre nações e temos mecanismos apropriados para assegurá-la”.

