A captura e subsequente morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), foram o resultado de uma complexa operação de inteligência que culminou em um confronto violento no estado de Jalisco. A ação militar, que ocorreu no domingo (22), desencadeou uma série de represálias em todo o México, deixando um rastro de mortes, bloqueios de vias e ataques a propriedades públicas e comerciais.
A inteligência mexicana, com apoio de informações dos Estados Unidos, conseguiu rastrear o narcotraficante através de um associado próximo de uma de suas parceiras amorosas. Em 20 de fevereiro, um indivíduo de confiança foi localizado e, posteriormente, levou as autoridades a um imóvel na cidade de Tapalpa, Jalisco, onde El Mencho estaria reunido com seu círculo íntimo. A operação para sua detenção foi deflagrada no domingo.
Durante a tentativa de prisão, a segurança pessoal de El Mencho abriu fogo contra as forças especiais mexicanas, que incluíam agentes do Exército, Aeronáutica e Guarda Nacional, além de apoio aéreo com helicópteros e aviões. El Mencho e alguns de seus seguranças conseguiram fugir para uma área de mata densa.
Em uma segunda tentativa de captura, após as forças militares estabelecerem um perímetro na região, El Mencho e seus seguranças voltaram a trocar tiros com os militares. Um helicóptero sofreu pouso de emergência após ser atingido. Nesta ação, El Mencho e dois de seus seguranças foram gravemente feridos. Um helicóptero foi acionado para transportar os feridos para um centro médico em Jalisco, mas El Mencho faleceu durante o trajeto.
A operação resultou na morte de 15 suspeitos ligados ao CJNG e deixou três militares mexicanos feridos. A morte do líder do cartel, um dos mais poderosos do México e procurado internacionalmente com recompensas milionárias, gerou uma onda de violência sem precedentes, com 252 bloqueios em 20 estados e ataques coordenados. Segundo o Gabinete de Segurança da presidência, 27 agentes do estado e 30 suspeitos morreram em decorrência das represálias.
A colaboração entre México e Estados Unidos foi destacada, com Washington oferecendo suporte de inteligência crucial. A Casa Branca classificou o CJNG como organização terrorista e ressaltou a importância de El Mencho no tráfico de fentanil. No entanto, a presidente do México, Cláudia Sheinbaum, enfatizou que as operações são conduzidas exclusivamente pelas forças federais mexicanas, com a participação dos EUA limitada à troca de informações.
Especialistas em políticas sobre drogas apontam que, embora a morte de El Mencho possa gerar instabilidade a curto prazo e disputas sucessórias no cartel, o impacto no fluxo geral do tráfico de drogas pode ser uma reconfiguração no poder entre as organizações, com rivais como o Cartel de Sinaloa buscando ocupar os espaços deixados pelo CJNG.

