O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou nesta terça-feira (1º) duas mensagens no X pedindo a investigação e a prisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cobrando atuação do ministro André Mendonça no caso. As postagens foram feitas após reportagens sobre o contrato do escritório da esposa de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e sobre mensagens em que o banqueiro consultou o magistrado sobre deixar o Brasil.
“Moraes tem que ser investigado e preso”, escreveu Nikolas, dirigindo-se em seguida ao ministro André Mendonça: “André Mendonça, está em suas mãos fazer história nesse país. Vai em frente que estamos com você.” Ferreira, que já havia protocolado representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) em março pedindo apuração das mensagens entre Vorcaro e Moraes, voltou a se manifestar diante das novas informações. As duas publicações somaram milhares de visualizações em poucos minutos.
Metadados apontam edição de Moraes no contrato
As postagens repercutiram revelações de que Moraes deu a palavra final no contrato de Vorcaro com o escritório da esposa, segundo metadados de um arquivo extraído de investigação. Também repercutiu a notícia de que Vorcaro consultou Moraes sobre deixar o país, com a frase “Acha que 2ª já tenho que estar fora”.
O jornal O Estado de S. Paulo informou que registros digitais do contrato de prestação de serviços advocatícios, no valor aproximado de R$ 131 milhões, indicam edição atribuída a um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes” no Office 365. O arquivo teria sido alterado na noite de 15 de janeiro de 2024, após Vorcaro devolver a minuta com marcas de revisão.
Escritório confirma acesso do ministro à minuta
O escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, confirmou que o ministro teve acesso à minuta do contrato. Em nota, a banca afirmou que o setor de compliance solicitou informações a Moraes, “na condição de marido da sócia diretora”, sobre eventuais impedimentos legais, como ações no STF sob sua relatoria ou participação em julgamentos de interesse do cliente. “Diante da inexistência de previsão de atuação no STF ou de qualquer impedimento legal, uma vez que o Ministro Alexandre de Moraes jamais julgou qualquer causa envolvendo o Banco Master, o contrato foi assinado e os serviços advocatícios devidamente prestados”, diz o texto.
Pagamentos foram interrompidos após liquidação do banco
O acordo previa 36 parcelas mensais, com valores brutos que, segundo reportagens, chegam a R$ 3,64 milhões por parcela. Os pagamentos foram interrompidos após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, um dia depois da prisão de Vorcaro.
Na mesma linha de revelações, mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que o então dono do Master perguntou a Moraes, em 15 de novembro de 2025, se deveria deixar o país: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Dois dias depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no aeroporto de São Paulo, quando tentava embarcar em jato particular. No mesmo 17 de novembro, ele ainda perguntou: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”.
Mendonça pede manifestação da PGR
O ministro André Mendonça, relator de investigações ligadas ao caso Master, pediu manifestação da PGR sobre relatório da PF que detalha mensagens de Vorcaro. Em uma delas, o banqueiro cita a necessidade de proteção de “Andrei” e “Paulo”, interpretados por investigadores como referências ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet. Mendonça deu prazo de cinco dias à PGR para se manifestar.
Fontes ligadas ao STF informaram que Mendonça avalia levar ao plenário um pedido de abertura de investigação contra Moraes, o que exige autorização do colegiado por se tratar de ministro da Corte. Reportagens desta terça-feira indicam que o magistrado já mapeia votos entre os colegas.
Linha do tempo do caso
Daniel Vorcaro foi preso em 17 de novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero. Na sequência, o Banco Master foi liquidado pelo Banco Central. O contrato com o escritório Barci de Moraes e as conversas encontradas no celular do empresário passaram a integrar o conjunto de informações analisadas pela PF e pelo relator no STF.
O gabinete de Alexandre de Moraes, em ocasiões anteriores, classificou relatos sobre as conversas com Vorcaro como “ilação mentirosa”. Até a publicação desta matéria, não havia nota nova do ministro sobre os metadados do contrato nem sobre as mensagens de novembro de 2025. A PGR também ainda não se manifestou publicamente sobre o ofício enviado por Mendonça.

