Integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam, em conversas reservadas, que um eventual pedido de vista no julgamento de terça-feira (15/09) sobre as suspeitas envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro poderá levar outros integrantes da Corte a antecipar seus votos.
O julgamento definirá se será aberta uma investigação para apurar as suspeitas de uma suposta relação entre Moraes e Vorcaro, dono do Banco Master. Nos últimos dias, ganhou força entre ministros a possibilidade de que a conclusão do caso seja adiada por um pedido de vista.
A sessão terá início com o voto do presidente do STF, ministro Edson Fachin, que assumiu a relatoria do caso Moraes na noite de sábado (12). Fachin será o primeiro a se manifestar. Na sequência, votará o ministro Flávio Dino, integrante da ala de Moraes na Corte e que tem participado de uma ofensiva contra o ministro André Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master no STF.
Caso qualquer ministro peça vista, suspendendo temporariamente a análise, outros integrantes da Corte poderão pedir a palavra e antecipar seus votos. Uma ala do tribunal avalia que já existe maioria favorável à abertura de uma investigação contra Moraes.
O cenário, porém, ainda é considerado incerto. O STF, que normalmente é composto por 11 ministros, está com uma vaga aberta desde a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, em outubro do ano passado. Além disso, o advogado-geral da União, Jorge Messias, teve sua indicação ao tribunal rejeitada pelo Senado em abril deste ano.
Na sessão de terça-feira, apenas oito ministros devem participar da votação. Alexandre de Moraes e Dias Toffoli deverão se declarar impedidos. Moraes é um dos alvos das suspeitas analisadas, enquanto Toffoli deixou a relatoria do caso Banco Master após ter sido citado no episódio.
Entre os ministros que, segundo integrantes da Corte, tendem a votar pela abertura da investigação estão André Mendonça, Edson Fachin, Nunes Marques, Luiz Fux e Cármen Lúcia. Do outro lado, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin são apontados como possíveis votos contrários ao avanço da apuração.
Um ministro ouvido pela CNN Brasil afirmou que um eventual pedido de vista poderia impedir a conclusão do julgamento, mesmo que os votos antecipados indiquem a formação de uma maioria.
Pelas regras do STF, o pedido de vista suspende a análise do processo por até 90 dias. Após a retomada do julgamento, outros ministros ainda podem solicitar vista, o que, na prática, poderia prolongar a conclusão do caso por vários meses e, em um cenário extremo, por quase um ano.
*com informações da CNN

