O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, levantou sérias acusações de fraude eleitoral após a votação presidencial de domingo, alegando um “delito contra o voto”. As denúncias surgiram em meio a resultados preliminares que indicavam uma disputa acirrada, com o opositor Abelardo De La Espriella à frente.
Petro detalhou em redes sociais que muitos formulários E-14, responsáveis por registrar os votos em papel, teriam sido alterados após o upload. Segundo o presidente, o registro de data e hora, bem como o ‘Hash’ – um algoritmo de segurança digital – foram removidos para permitir modificações deliberadas, supostamente orquestradas a partir de escritórios ligados aos empresários Bautista, proprietários da Thomas Greg & Sons, empresa envolvida na contagem preliminar dos votos.
Além das alegações sobre a contagem interna, Petro também apontou para possíveis irregularidades em votações no exterior, mencionando um consulado com 80 eleitores inscritos que teria registrado mil votantes. Em uma declaração surpreendente, o presidente sugeriu o envolvimento de Israel nas supostas manipulações, citando evidências de mudanças nos endereços IP de servidores do Registro Nacional, o órgão responsável pela apuração. “A única entidade no mundo capaz de fazer isso é o Estado de Israel”, afirmou.
Os resultados preliminares indicaram que De La Espriella obteve 49,66% dos votos válidos, enquanto Iván Cepeda alcançou 48,70%. A diferença foi de aproximadamente 250 mil votos, em um cenário de alta participação, com 63,6% dos eleitores aptos comparecendo às urnas.
Iván Cepeda, por sua vez, adotou uma postura mais cautelosa. Sua campanha registrou 57,1 mil reclamações, que serão submetidas à análise dos juízes eleitorais. Cepeda enfatizou a importância de aguardar o escrutínio oficial, a etapa manual que consolida o resultado, antes de fazer qualquer declaração sobre o reconhecimento do pleito.
Matheus Petrelli, especialista em política colombiana do Observatório Político Sul-Americano (OPSA), comentou que as acusações de Petro são abrangentes e cobrem diversas fases da apuração preliminar, mas ressaltou que as investigações do escrutínio serão cruciais para verificar as denúncias.
A Colômbia já presenciou alterações significativas entre a pré-contagem e o escrutínio em eleições passadas. Em 2022, o resultado das eleições legislativas foi substancialmente alterado a favor do Pacto Histórico, coalizão governista, após a revisão dos dados preliminares.
O presidente Petro reiterou que nenhum presidente pode ser proclamado antes do fim do escrutínio oficial, lembrando que a lei colombiana determina que o vencedor só é declarado após a consolidação de todos os votos.
Em resposta às declarações, o registrador nacional, Hernán Penagos, defendeu a integridade do processo eleitoral, descrevendo-o como “altamente eficiente” e conduzido com “garantias absolutas”. Ele explicou que o escrutínio, realizado por juízes com base em documentos físicos, não é conduzido pela Registradora.
Missões de observação internacionais, como a da OEA, elogiaram a jornada eleitoral e pediram calma aos colombianos enquanto aguardam a conclusão do escrutínio, destacando a importância da proteção das instituições democráticas. A União Europeia também deve divulgar seu balanço preliminar sobre o processo eleitoral.

