Termina nesta segunda-feira (21/9) o prazo para que o ministro André Mendonça se manifeste sobre as acusações apresentadas por Alexandre de Moraes a respeito de sua atuação em investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS.
A manifestação encerra a etapa de esclarecimentos determinada pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e devolve à Presidência da Corte a condução do procedimento, em meio ao impasse sobre os casos envolvendo os dois ministros.
Mendonça foi chamado a apresentar considerações sobre a forma, o conteúdo e a regularidade do procedimento, além de eventuais questões processuais. Ao determinar as diligências, Fachin destacou que a medida tinha caráter preliminar e não significava uma conclusão sobre a validade das acusações.
Moraes atribuiu a Mendonça suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade. A acusação foi apresentada depois de Mendonça pedir que Moraes fosse investigado por suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Como base, Moraes utilizou um relatório interno da Polícia Federal, classificado no próprio documento como sem valor probatório.
Adiamento do julgamento
O procedimento ganhou novo contorno após Fachin adiar, em 17 de setembro, o julgamento previsto para esta quarta-feira (23/9) sobre a atuação de Mendonça no caso Master. A decisão ocorreu após uma questão de ordem apresentada por Gilmar Mendes na sessão do dia 15, na qual ele propôs que o processo envolvendo Moraes e o procedimento sobre Mendonça fossem reunidos para julgamento conjunto. Flávio Dino, Cristiano Zanin e o próprio Moraes apoiaram a proposta, mas Dino pediu vista antes do fim do julgamento.
Defesa de Mendonça
A Coluna do Estadão revelou que, após o adiamento da sessão do dia 23, Mendonça concentrou-se no fim de semana em preparar sua defesa, que deve ser apresentada dentro do prazo regimental.
Segundo apuração da coluna, a defesa adotará tom moderado, com foco em desconstruir as imputações feitas por Moraes e em sustentar a “ilegalidade” do documento apócrifo da PF. O ministro pretende demonstrar que a peça apresentada pelo colega carece de qualquer validade jurídica e tem como objetivo desviar o foco da investigação que considera necessária e urgente: a relação de Moraes com Vorcaro.

