O Líbano e o Irã reportaram um número alarmante de ataques contra suas infraestruturas de saúde, envolvendo centros médicos, ambulâncias e profissionais. Segundo informações divulgadas, o Líbano contabilizou 70 unidades de saúde atingidas por bombardeios desde o início de março, um aumento significativo em relação a semanas anteriores. Em paralelo, o Irã informou que aproximadamente 300 unidades e equipamentos de saúde foram danificados em ataques atribuídos a Israel e aos Estados Unidos.
Os incidentes no Líbano resultaram na morte de 42 profissionais de saúde e deixaram 119 feridos. Cinco hospitais foram forçados a fechar, nove sofreram danos parciais e ao menos 54 unidades básicas de saúde tiveram suas operações interrompidas. A Agência Nacional de Notícias do Líbano também reportou o assassinato de dois paramédicos em Nabatieh após um ataque direcionado a um comboio de motocicletas.
A Força de Defesa de Israel (FDI) alega que o Hezbollah tem feito uso militar de instalações médicas, o que justificaria suas ações. No entanto, a Anistia Internacional contesta essas alegações, afirmando que Israel não apresentou provas e que a estratégia de atingir profissionais de saúde já foi utilizada anteriormente pelo país.
Kristine Beckerle, da Anistia Internacional, declarou que acusações de uso militar de instalações de saúde, sem evidências, não justificam o ataque a hospitais, médicos ou paramédicos, nem o tratamento de transportes médicos como alvos militares.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou os dados do governo libanês, destacando que os ataques têm sobrecarregado o já fragilizado sistema de saúde do país, que atende mais de 2.900 feridos pelo conflito, além de outros pacientes.
No Irã, o Ministério da Saúde local reportou que os ataques causaram danos a 313 centros médicos, hospitais, ambulâncias e outros equipamentos, resultando na morte de 23 profissionais de saúde. A Cruz Vermelha Iraniana informou que 17 de suas bases foram alvejadas e 94 ambulâncias e veículos de resgate foram atingidos.
Os Estados Unidos negam ataques diretos a instalações civis no Irã, mas o Secretário de Estado Marco Rubio mencionou a possibilidade de “efeitos colaterais” durante os combates.
Especialistas em geopolítica, como Anwar Assi, avaliam que o alto número de ataques a infraestruturas de saúde sugere uma estratégia deliberada, visando aterrorizar a população civil e pressionar por mudanças de regime ou o fim do apoio a grupos como o Hezbollah. Assi também aponta que ataques a edifícios adjacentes a hospitais causam danos indiretos, prejudicando o atendimento e forçando evacuações.
A situação se soma a um histórico de ataques a unidades de saúde em outros conflitos recentes, como na Faixa de Gaza, onde a OMS registrou centenas de ataques a infraestruturas médicas e a morte de quase mil profissionais de saúde desde outubro de 2023. Israel, nesses casos, justificou suas ações alegando que o Hamas utilizava instalações de saúde como escudo, alegação negada pelo grupo palestino.

