O prefeito de Coari, Adail Pinheiro (Republicanos), foi afastado do cargo por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (16/9), durante a deflagração da Operação Dinastia do Lago, da Polícia Federal. A investigação apura a possível atuação de uma organização criminosa em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro na administração municipal, com medidas cumpridas em Coari e em Manaus.
Além do prefeito, secretários e servidores municipais também foram afastados, segundo as informações divulgadas sobre a operação, que inclui mandados de busca e apreensão e outras medidas cautelares. A apuração teve origem na apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em dinheiro vivo, em maio de 2025, com três empresários do Amazonas durante um deslocamento entre Manaus e Brasília (DF).
A partir da análise de documentos, equipamentos eletrônicos e movimentações financeiras, a Polícia Federal passou a investigar possíveis conexões entre empresários, agentes públicos e terceiros ligados à Prefeitura de Coari. Os investigadores apuram se empresas foram utilizadas em processos licitatórios direcionados e se recursos públicos foram desviados ou movimentados para o pagamento de vantagens indevidas e para ocultar a origem e os destinatários finais dos valores. A operação desta quarta-feira ocorre, portanto, depois de mais de um ano de investigação iniciada a partir da apreensão do dinheiro em Brasília. Segundo as informações divulgadas sobre a ação, os fatos investigados podem caracterizar, em tese, os crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
Dinheiro apreendido levou apuração ao Supremo
A apreensão que deu origem à investigação ocorreu em maio de 2025, quando três empresários do Amazonas foram encontrados transportando cerca de R$ 1,25 milhão em espécie no Aeroporto Internacional de Brasília. A partir do material obtido na ocasião, a investigação passou a examinar relações financeiras entre empresas vinculadas aos investigados e integrantes do grupo político de Coari.
O caso chegou ao STF, onde tramita investigação relacionada ao episódio e às possíveis conexões entre os empresários e agentes públicos. Entre os nomes mencionados na documentação relacionada à apuração estão o prefeito Adail Pinheiro e o deputado federal Adail Filho, filho do prefeito. A análise financeira mencionada na investigação identificou movimentações entre empresas ligadas aos investigados e os políticos, levando o Supremo a aprofundar a apuração sobre contratos públicos e recursos destinados ao município. É nesse contexto que a Polícia Federal cumpre agora as medidas cautelares contra integrantes da administração municipal.
Fiscalização do TCU
A investigação federal também ocorre paralelamente a uma fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre a aplicação de recursos federais destinados a Coari por meio das chamadas Emendas PIX. O processo TC 004.352/2026-2 examinou a aplicação de transferências especiais em 18 municípios entre 2020 e 2024.
No caso de Coari, o TCU identificou que R$ 9.020.000,00, correspondentes à Emenda Parlamentar nº 202437940002, foram transferidos entre julho e setembro de 2024 da conta específica da transferência especial para contas genéricas da Prefeitura. Segundo a auditoria, a movimentação rompeu a trilha bancária necessária para acompanhar o percurso dos recursos e verificar se eles permaneceram vinculados à finalidade originalmente prevista. O tribunal determinou a instauração de uma Tomada de Contas Especial (TCE) para apurar as responsabilidades e eventual ressarcimento ao erário.

