A suspeição da conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na investigação do caso do Banco Master é avaliada com preocupação no Supremo Tribunal Federal (STF) e na Polícia Federal (PF), segundo apuração divulgada nesta segunda-feira (21/9).
Os diferentes grupos na Suprema Corte e na PF consideram que uma decisão questionando a atuação do chefe do Ministério Público pode abrir brecha para pedidos de anulação de provas. Na visão de magistrados e investigadores, isso pode inviabilizar o avanço da investigação e até beneficiar o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, cuja defesa pediu recentemente a revogação de sua prisão.
Na sexta-feira (25), o Conselho Superior do Ministério Público Federal analisará as menções ao procurador-geral em mensagens atribuídas ao ex-banqueiro. Uma foto de Gonet com Vorcaro em Londres, em 2024, aumentou o desgaste de imagem do chefe do Ministério Público.
Investigação em “banho-maria”
A expectativa era de que o relatório da PF sobre o Banco Master fosse finalizado em setembro, mas a crise interna no Supremo e os adiamentos de depoimentos atrasaram o término da apuração, que foi colocada em “banho-maria”. O receio de um resultado desfavorável a Gonet, que impacte a investigação policial, também é compartilhado pelo grupo do ministro André Mendonça, relator da apuração sobre o Master no STF.
A decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues — revertida pelo presidente do STF, Edson Fachin —, também gerou preocupações sobre pedidos futuros de nulidade.
A tendência, porém, é de que o Conselho Superior do MPF considere que Gonet é imparcial e poderá seguir à frente da investigação sobre o Master, evitando pedidos de anulação que beneficiem investigados no escândalo de corrupção.

