O Supremo Tribunal Federal (STF) está investigando possíveis irregularidades na destinação de verbas de emendas parlamentares para a produtora do filme biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado ‘Dark Horse’. O ministro Flávio Dino determinou que o deputado federal Mário Frias (PL-SP) preste esclarecimentos sobre o caso.
A denúncia, apresentada pela deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), aponta que Frias teria destinado ao menos R$ 2 milhões à Academia Nacional de Cultura (ANC), presidida por Karina Ferreira da Gama. Esta mesma empresária é a responsável pela Go Up Entertainment, produtora do filme ‘Dark Horse’, cuja estreia está prevista para setembro, próximo às eleições presidenciais.
O STF tenta intimar Mário Frias há mais de um mês, mas oficiais de justiça encontraram dificuldades em localizá-lo em seu gabinete na Câmara dos Deputados. Assessores informaram que o parlamentar estaria em compromissos de campanha em São Paulo e não demonstraram interesse em fornecer sua agenda.
A investigação teve início a partir de uma reportagem que indicava que a Academia Nacional de Cultura havia recebido R$ 2,6 milhões em emendas de deputados federais do Partido Liberal (PL). Além de Frias, os deputados Bia Kicis e Marcos Pollon também foram citados.
Tabata Amaral sugere a formação de um grupo econômico que poderia dificultar o rastreamento de verbas públicas e financiar produções de cunho ideológico. Bia Kicis e Marcos Pollon já apresentaram seus esclarecimentos ao STF. Pollon admitiu ter destinado R$ 1 milhão para a Secretaria de Cultura de São Paulo viabilizar uma série documental, mas afirmou que o projeto não avançou e os recursos foram redirecionados para a área da saúde.
Bia Kicis, por sua vez, admitiu ter destinado R$ 150 mil para a mesma série, mas também alega que a indicação não foi executada. Ela classifica a denúncia como ‘maldosa’ e refuta a associação de sua emenda com o filme ‘Dark Horse’, argumentando que se trata de projetos distintos e que sua decisão foi estritamente política, visando o fomento da cultura e da história nacional.
Recentemente, uma reportagem revelou que o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado ao banqueiro Vorcaro a destinação de cerca de R$ 134 milhões para o filme ‘Dark Horse’, dos quais R$ 61 milhões teriam sido liberados. Áudios divulgados indicam trocas de mensagens entre o senador e o banqueiro sobre a necessidade de aporte financeiro para o filme, às vésperas da prisão de Vorcaro em uma operação policial.
Mário Frias negou que o senador Flávio Bolsonaro tenha participação societária no filme ou na produtora e afirmou que a obra não recebeu verbas públicas. Ele classificou ‘Dark Horse’ como uma ‘superprodução em padrão hollywoodiano’ com capital 100% privado.

