O ex-banqueiro Daniel Vorcaro comemorou a publicação da reportagem que revelou a existência de um contrato da advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, com o Banco Master. A afirmação ocorreu em abril de 2025, em conversa com Augusto Lima, que deixou oficialmente a sociedade do Master em maio de 2024, mas mantinha contato frequente com o antigo parceiro de negócios.
O diálogo, extraído do celular de Vorcaro pela Polícia Federal (PF) e obtido pela CNN, mostra que Lima encaminhou a Vorcaro um link do jornal O Globo com o título “Banco Master contratou mulher de Alexandre de Moraes”. Vorcaro respondeu: “Melhor matéria que fizeram nossa na semana”.

O texto revelou a relação contratual entre o Master e o escritório da mulher e dos dois filhos do magistrado, mas ainda não havia informação sobre o valor do acordo. Depois, a PF encontrou um contrato que indicava ser de R$ 131 milhões. As quebras de sigilo da CPI do Crime Organizado apontaram o repasse de R$ 80 milhões à banca entre 2024 e 2025. O restante não foi depositado porque o contrato foi interrompido após a prisão de Vorcaro.
A conversa mostra que os dois se telefonavam com frequência e lamentavam movimentações do mercado. Lima costumava enviar reportagens a Vorcaro. A primeira sobre Moraes tratava da decisão de março de 2025, em que o ministro determinou o arquivamento da investigação contra o então governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), pelos atos de 8 de Janeiro. Vorcaro respondeu com um telefonema seis minutos depois. Um mês depois, Lima encaminhou o link sobre a relação contratual do Master com Moraes, e Vorcaro classificou a reportagem como a melhor feita sobre o banco naquela semana.
Recentemente, relatório da PF sobre a relação entre Moraes e Vorcaro apontou que o contrato de Viviane com o Master foi editado pelo ministro. Segundo a corporação, os metadados do arquivo digital, enviado por Viviane a Vorcaro por aplicativo de mensagens e extraído do celular do ex-banqueiro, indicam o nome e o usuário vinculados ao magistrado como autor da última modificação do documento.
Em nota divulgada à época, a advogada afirmou que consultou Moraes “na condição de marido da sócia diretora do referido escritório, sobre a eventual existência de impedimentos legais para a contratação nos termos propostos na minuta contratual, tais como ações no STF sobre sua relatoria ou mesmo participação em julgamentos de interesse do possível cliente”.
A reportagem procurou Moraes, o escritório de Viviane Barci e Augusto Lima, mas nenhum dos três quis se manifestar.
*com informações da CNN

