Nesta quarta-feira (2/9), veio à tona que Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, afirmou em depoimento prestado ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), ter sido vítima de tortura psicológica, maus-tratos e ameaças veladas enquanto esteve preso sob custódia da Polícia Federal. Segundo o ex-banqueiro, as intimidações tinham como objetivo impedi-lo de relatar, em uma eventual delação premiada, fatos relacionados à própria corporação policial.
As declarações foram reveladas pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. O depoimento foi prestado por videoconferência a um juiz auxiliar do gabinete de Mendonça, relator no STF da investigação sobre o Banco Master.
Vorcaro disse acreditar que as supostas pressões sofridas estariam por trás da resistência da Polícia Federal em participar do acordo de colaboração premiada que ele tenta negociar desde sua prisão, ocorrida em março. Segundo a coluna, o ex-banqueiro citou em seu relato o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
O advogado de Vorcaro, Daniel Bialski, e o diretor-geral da Polícia Federal não responderam aos questionamentos da coluna. Já interlocutores de Andrei Rodrigues rejeitaram qualquer proximidade entre ele e o ex-controlador do Master, afirmando que os dois nunca mantiveram relação. Segundo essas fontes, ambos teriam se encontrado apenas uma vez, de forma casual, durante um seminário jurídico em Londres organizado pelo grupo Voto, evento que contou com patrocínio do Banco Master, informação não divulgada à época.
PF afirma que acordo poderia ser negociado diretamente com a PGR
Agentes ouvidos pela Folha também argumentaram que Vorcaro poderia buscar diretamente a Procuradoria-Geral da República (PGR) para tentar fechar uma colaboração premiada, sem necessidade de participação da Polícia Federal nas tratativas.
Nos bastidores, o depoimento passou a ser interpretado por integrantes da investigação como uma tentativa de abrir caminho para que um eventual acordo de delação seja conduzido sem a PF, com a participação de integrantes da PGR considerados aceitáveis pelo ex-banqueiro.
O ministro André Mendonça confirmou nesta quarta-feira (2/9) que Vorcaro foi ouvido recentemente no âmbito da investigação sobre o Banco Master. O ato contou com a presença do Ministério Público, mas foi realizado sem integrantes da Polícia Federal.
Segundo nota divulgada por sua assessoria, Mendonça afirmou que a audiência ocorreu a pedido da defesa de Vorcaro, em razão das alegações de intimidação apresentadas pelo ex-banqueiro. “O depoimento foi realizado por requerimento expresso da defesa do depoente, que relatou estar sofrendo graves intimidações e solicitou ser ouvido com urgência. Trata-se de ato processual regular, conduzido por juiz auxiliar”, declarou o ministro.

