O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quarta-feira (1º) que a guerra envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã é “desnecessária” e que as justificativas apresentadas pelas nações envolvidas, especialmente sobre o desenvolvimento de armas nucleares iranianas, são falsas.
Durante entrevista em Fortaleza, Lula relembrou sua visita ao Irã em 2010, quando, em seu último ano de mandato, participou da negociação de um acordo para o enriquecimento de urânio. Segundo o presidente, o acordo previa que o Irã utilizasse métodos similares aos do Brasil para enriquecer o material com fins pacíficos, conforme permitido pela Constituição brasileira. Ele lamentou que, na época, os Estados Unidos, sob a presidência de Barack Obama, e a União Europeia não tenham aceitado o acordo.
“Não tem arma nuclear lá”, afirmou Lula, contestando as alegações que motivariam o conflito. Ele acrescentou que, mesmo que existam divergências políticas entre Israel, Estados Unidos e Irã, a guerra não era a solução. O presidente também comentou que a morte de autoridades iranianas, como o líder supremo Ali Khamenei, não significou o fim do conflito, dada a dimensão do país e sua longa história cultural.
A declaração de Lula ocorre em um contexto de um mês de conflito entre o Irã e as forças lideradas por EUA e Israel, que tem gerado instabilidade internacional. O confronto já resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, via crucial para o transporte de petróleo, provocando um aumento de aproximadamente 50% no preço do barril e levantando preocupações ambientais e climáticas.
Em outro tópico, o presidente expressou preocupação com a alta do preço do diesel no Brasil, que importa cerca de 30% do seu consumo. Ele mencionou que o governo está intensificando a fiscalização, em parceria com a Polícia Federal e órgãos de defesa do consumidor, para coibir aumentos abusivos e já determinou a fiscalização em estradas e postos de gasolina. Lula comparou a situação atual com o período em que a Petrobras detinha a BR Distribuidora, sugerindo que a antiga estrutura permitia maior controle sobre os preços finais.
O governo federal planeja publicar uma medida provisória nesta semana para criar um subsídio de R$ 1,20 por litro para o diesel importado, com o objetivo de conter a escalada de preços e evitar o desabastecimento. O custo total estimado é de R$ 3 bilhões ao longo de dois meses, a ser dividido entre a União e os estados, dos quais cerca de 80% já manifestaram adesão à proposta, segundo o Ministério da Fazenda.

