A Organização das Nações Unidas (ONU) adiou a votação de uma resolução crucial para a segurança da navegação comercial no Estreito de Ormuz. A proposta, apresentada pelo Bahrein, poderia autorizar o uso da força para garantir o fluxo de embarcações em uma das rotas marítimas mais importantes do mundo.
A reunião do Conselho de Segurança da ONU, que congrega 15 membros, estava agendada para esta sexta-feira, mas foi postergada sem data definida. No entanto, fontes diplomáticas indicam que a discussão e votação devem ocorrer na próxima semana.
O Estreito de Ormuz, localizado na costa norte do Irã, é vital para o transporte global de petróleo e outros produtos, conectando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. O tráfego na região tem sido significativamente afetado desde o final de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram ações militares contra o Irã, desencadeando um conflito prolongado.
Este conflito já resultou na interrupção de aproximadamente um quinto do fornecimento mundial de petróleo e gás natural liquefeito, impactando os mercados globais e elevando os preços da energia. O Irã tem exercido controle sobre a passagem de navios pelo estreito.
O Bahrein, atual presidente do Conselho de Segurança, elaborou um rascunho de resolução que propõe a adoção de “todos os meios defensivos necessários” para proteger a navegação comercial. A proposta, contudo, tem enfrentado resistência de países como China e Rússia.
A China, possuindo poder de veto como membro permanente do Conselho, já manifestou sua oposição à autorização do uso da força, dada a sua forte parceria estratégica e econômica com o Irã, sendo um dos principais compradores do petróleo iraniano.
Em uma tentativa de contornar as objeções, especialmente da Rússia e da China, o Bahrein, com o apoio de outros países do Golfo e dos Estados Unidos, já havia removido uma menção explícita à aplicação obrigatória da força. A resolução atual prevê a aplicação de medidas “por um período de pelo menos seis meses e até que o Conselho decida de outra forma”.
Especialistas consultados pela Agência Brasil sugerem que as ações militares de EUA e Israel contra o Irã visam uma “troca de regime” em Teerã, com o objetivo de conter a ascensão econômica da China, percebida como uma ameaça por Washington, e de consolidar a hegemonia de Israel no Oriente Médio.

