Brasil e Estados Unidos firmaram um novo acordo de cooperação mútua com o objetivo de intensificar o combate ao tráfico internacional de armas e drogas. A parceria, oficializada após reunião entre autoridades brasileiras e americanas no Ministério da Fazenda, visa otimizar o compartilhamento de dados para uma atuação mais eficaz contra organizações criminosas.
O convênio estabelece um canal digital contínuo para a troca de informações sobre apreensões realizadas nas aduanas de ambos os países. Essa medida permitirá uma investigação mais ágil de padrões, rotas e conexões entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos, fortalecendo as ações de inteligência e repressão.
Segundo o ministro Dario Durigan, o compartilhamento qualificado de informações entre Brasil e EUA proporcionará melhores condições para a execução de ações coordenadas, tanto na origem quanto no destino das cargas ilegais. Ele destacou que o acordo representa um avanço significativo, alinhado às conversas anteriores entre os presidentes Lula e Trump, e focado no combate ao crime organizado transnacional.
A Receita Federal brasileira e o U.S. Customs and Border Protection (CBP) serão os responsáveis pela implementação do acordo. O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, ressaltou que o uso de tecnologias como o raio-x em contêineres tem sido fundamental para aumentar as apreensões, especialmente de peças de armamento. Ele explicou que, diante da dificuldade em ocultar armas inteiras, organizações criminosas têm optado por enviar componentes, o que tem levado a um aumento nas apreensões desse tipo de material.
Durante a reunião, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que mais de 1,1 mil armas e peças foram apreendidas nas aduanas brasileiras nos últimos 12 meses. No primeiro trimestre de 2026, foram apreendidas mais de 1,5 mil toneladas de drogas, principalmente sintéticas e haxixe, vindas dos Estados Unidos.
Uma das principais entregas do acordo é o lançamento do Programa Desarma, um sistema informatizado da Receita Federal que aprimora o rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis. A ferramenta registrará dados estratégicos de apreensões, como origem declarada, informações logísticas e números de série, permitindo o mapeamento de redes ilícitas de comércio internacional de armas e a identificação de suas origens.

