As negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, realizadas em Islamabad, Paquistão, terminaram sem um acordo após 21 horas de discussões. O vice-presidente americano, JD Vance, declarou que a delegação iraniana não aceitou os termos propostos pelos EUA, focados em impedir o desenvolvimento de armas nucleares por parte do Irã.
Vance enfatizou a necessidade de um compromisso iraniano em não buscar armas nucleares ou ferramentas para seu desenvolvimento rápido, um objetivo central da administração americana. O Irã, por sua vez, defende seu direito a um programa nuclear para fins pacíficos, acusando os EUA de usarem a questão como pretexto para uma mudança de regime. Teerã sempre negou a intenção de desenvolver armamento atômico.
O chefe do Parlamento iraniano e líder da delegação, Mohammad-Bagher Ghalibaf, afirmou que, apesar da boa vontade em negociar, a desconfiança em relação aos EUA e Israel, devido a agressões anteriores, impediu um avanço. Ele ressaltou que a delegação iraniana apresentou iniciativas promissoras, mas o lado oposto não conseguiu gerar confiança.
Após o impasse nas negociações, o presidente Donald Trump anunciou que a Marinha dos EUA irá impedir a passagem pelo Estreito de Ormuz, dada a recusa iraniana em renunciar às suas ambições nucleares. Trump instruiu a interceptação de embarcações que paguem pedágios ao Irã e a destruição de minas no estreito.
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de 20% do petróleo global, havia sido fechado pelo Irã em resposta a agressões anteriores. Trump havia ameaçado ações mais drásticas, mas uma trégua de duas semanas foi anunciada anteriormente. O novo líder supremo do Irã, aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, indicou que as regras de passagem pelo estreito podem mudar.
Durante o encontro em Islamabad, foram discutidos temas como o Estreito de Ormuz, o programa nuclear iraniano, indenizações de guerra, levantamento de sanções e o fim do conflito na região. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, reconheceu que tais questões complexas não poderiam ser resolvidas em um curto período de negociação, e que divergências persistiram, especialmente em relação ao Estreito de Ormuz e questões regionais.

