O relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado foi rejeitado pelos membros da comissão. O parecer, apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), propunha o indiciamento de três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de outras medidas.
A votação registrou seis votos contrários e quatro a favor, resultando no encerramento dos trabalhos da CPI sem a aprovação de um documento final. O relator Alessandro Vieira lamentou a decisão e atribuiu a derrota a uma suposta intervenção do Palácio do Planalto, afirmando que a rejeição apenas adia a discussão sobre o tema.
O presidente da CPI, senador Fabiano Contarato (PT-ES), criticou a não prorrogação dos trabalhos pela Presidência do Senado e alegou que o STF teria dificultado a coleta de provas. Contudo, Contarato se posicionou contra o indiciamento dos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, argumentando que tal ato exige grande responsabilidade e deve se basear em provas concretas.
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), também votou contra o relatório, ressaltando que a CPI não deve ser um palco para disputas políticas e que o foco deveria ser na investigação do crime organizado, não no ataque a instituições.
A CPI, que investigou o modus operandi de facções e milícias, mapeou 90 organizações criminosas com atuação nacional e transnacional, incluindo PCC, Comando Vermelho e Terceiro Comando Puro. O relatório apontava que cerca de 26% do território nacional estaria sob controle do crime organizado, afetando 28,5 milhões de brasileiros. A lavagem de dinheiro foi identificada como o principal mecanismo de sustentação dessas atividades criminosas.
Apesar da rejeição do relatório, o parecer trouxe um retrato detalhado do crime organizado no Brasil e propôs medidas para combater o avanço da criminalidade, destacando também experiências bem-sucedidas no enfrentamento, como as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado (FICCOs) e a estratégia de descapitalização financeira de organizações criminosas.

