Em um discurso enfático em Barcelona, Espanha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva condenou os conflitos armados globais e defendeu o fortalecimento do multilateralismo como caminho para a paz e a justiça social. Durante a quarta reunião de alto nível do Fórum de Defesa da Democracia, Lula argumentou que os mais vulneráveis são os que arcam com as consequências da irresponsabilidade bélica.
Lula exemplificou o impacto das guerras nos preços de alimentos básicos e combustíveis, questionando se a população mais pobre deveria arcar com os custos de conflitos que não desejaram. “É o pobre que vai pagar pela irresponsabilidade de guerras que ninguém quer?”, indagou o presidente, ressaltando que o mundo enfrenta desafios urgentes como a fome, o analfabetismo e a necessidade de vacinas, problemas agravados pela instabilidade gerada pelas guerras.
O presidente brasileiro alertou para o período atual, marcado pelo maior número de conflitos armados desde a Segunda Guerra Mundial, e clamou por uma ação coordenada da Organização das Nações Unidas (ONU). Ele enfatizou a necessidade de reuniões extraordinárias, mesmo sem a aprovação unânime dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, para buscar soluções pacíficas.
Lula criticou diretamente conflitos como a invasão da Ucrânia pela Rússia, as ações militares em Gaza e o confronto entre Estados Unidos e Irã. Ele reiterou que nenhum líder, independentemente do poder de seu país, tem o direito de impor regras a outras nações, e que os membros do Conselho de Segurança da ONU precisam rever suas posturas, evitando ameaças e decisões unilaterais que desestabilizam a ordem mundial.
O presidente também abordou a influência das plataformas digitais na política e na disseminação de desinformação, pedindo que a ONU lidere discussões para a criação de regras globais para sua regulação. “A verdade, nua e crua, é que a mentira ganhou da verdade”, lamentou, destacando a importância de garantir a soberania eleitoral e territorial em um cenário onde a desinformação pode interferir em processos democráticos.
A participação de Lula no Fórum Democracia Sempre, iniciativa que reúne Brasil, Espanha, Colômbia, Chile e Uruguai, faz parte de sua agenda na Europa. Após a Espanha, o presidente seguirá para a Alemanha, onde participará da Hannover Messe, e encerrará sua viagem em Portugal.

