A soberania nacional e uma maior integração entre os países africanos são pontos cruciais para a construção da paz, estabilidade e segurança no continente. Essa visão foi amplamente defendida no 10º Fórum Internacional de Dacar sobre Paz e Segurança na África, realizado na capital do Senegal.
O evento, que ocorreu em 20 e 21 de maio, destacou a necessidade de investimentos focados na juventude e um controle mais rigoroso das fronteiras como estratégias essenciais para superar desafios significativos, incluindo a persistente ameaça do terrorismo.
O presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, abriu o fórum ressaltando as complexidades globais atuais, como as tensões comerciais entre grandes potências, o aumento do protecionismo e os impactos das mudanças climáticas. Ele enfatizou que a África, embora não esteja isolada desses problemas, enfrenta adicionalmente ameaças internas como conflitos armados e o terrorismo.
Faye criticou a dependência de agendas de segurança externas e a ocupação de espaços estratégicos africanos sem consentimento. Ele defendeu que a soberania africana deve se estender à exploração e transformação de recursos naturais, como urânio, petróleo e gás, garantindo que os benefícios permaneçam no continente e impulsionem o desenvolvimento estrutural.
Um foco especial foi dado à crescente ameaça do terrorismo no Sahel, uma região que o Índice de Terrorismo Global de 2026 identifica como epicentro mundial do problema. O índice aponta que o Sahel é responsável por mais da metade das mortes globais relacionadas ao terrorismo em 2025. Mali, Burkina Faso e Níger foram destacados como os países mais afetados, com milhares de atentados e mortes nas últimas duas décadas.
Especialistas atribuem a intensificação do terrorismo à instabilidade política, golpes militares e à falta de coordenação de segurança nas fronteiras. O presidente senegalês argumentou que uma resposta militar eficaz, combinada com controle de fronteiras e troca de informações, é vital, mas ressaltou que a cooperação regional é indispensável, pois um problema de segurança em um país afeta diretamente os vizinhos.
O presidente de Serra Leoa, Julius Maada Bio, conectou a insegurança à falha dos Estados em oferecerem alternativas à juventude, levando muitos a serem recrutados por grupos violentos. Ele defendeu o investimento em jovens não apenas como política social, mas como uma estratégia de segurança nacional, afirmando que o extremismo prospera onde há falhas de governança e desespero.
Bio sublinhou que a paz verdadeira vai além da ausência de conflito, sendo a vivência com dignidade e a crença em um futuro promissor. Ele reforçou a necessidade de soluções africanas, baseadas na realidade local, e defendeu parcerias que respeitem a autonomia do continente.
O presidente da Mauritânia, Mohamed Cheikh El Ghazouani, listou tensões identitárias, déficits de governança, instabilidade econômica e os efeitos das mudanças climáticas como desafios à coesão social. Ele argumentou que a integração regional é uma necessidade para a África, permitindo reduzir dependências externas, fortalecer complementaridades e ampliar a voz do continente no cenário global.
El Ghazouani também defendeu o fortalecimento da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (Cedeao) como um motor de transformação econômica, facilitando o comércio e a circulação de pessoas e bens. Essa declaração foi um recado direto aos países que deixaram a comunidade, buscando convencê-los da importância da união para enfrentar os desafios atuais.

