O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou nesta terça-feira (21) a intenção de aplicar o princípio da reciprocidade caso se confirme um “abuso americano” contra um delegado da Polícia Federal brasileira nos Estados Unidos. A declaração ocorreu durante uma viagem à Alemanha, após o governo dos EUA ter solicitado a saída de um funcionário brasileiro do seu território.
Segundo informações, o delegado estaria envolvido na recente prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem, que havia fugido do Brasil após condenação por participação em uma trama golpista. Lula afirmou que, se houve uma ação inadequada por parte dos EUA contra o policial brasileiro, o Brasil responderá de forma semelhante com funcionários americanos em seu solo.
“Não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que, se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o deles no Brasil. Não tem conversa”, declarou o presidente a jornalistas.
O Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos informou em sua rede social X que pediu a saída de um “funcionário brasileiro” por tentar contornar mecanismos formais de cooperação jurídica e manipular o sistema de imigração para estender perseguições políticas. O órgão ressaltou que nenhum estrangeiro pode usar o sistema americano para burlar pedidos formais de extradição.
Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), foi detido na Flórida e posteriormente liberado. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado e organização criminosa, e é considerado foragido da Justiça brasileira. Um pedido formal de extradição de Ramagem aos Estados Unidos já havia sido enviado em dezembro de 2025.
A Polícia Federal brasileira havia comunicado anteriormente que a prisão de Ramagem ocorreu como resultado de cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos, com sua detenção ocorrendo em Orlando.

