O ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, deve alegar em depoimento nesta quarta-feira (30/9) que mensagens extraídas do seu celular e que constam no âmbito do inquérito “A Turma” tratavam-se apenas de “meros desabafos”. Deve ainda mencionar a ausência de vítimas.
Ele também deve alegar que as próprias testemunhas ouvidas pela investigação disseram não conversar com ele e que suas orientações tratavam-se apenas de ordens para pagamentos ou registro de boletins de ocorrência contra detratores. Segundo a Polícia Federal (PF), “A Turma” funcionaria como braço armado de Vorcaro, encarregado de intimidar adversários e atacar jornalistas. Já o grupo “Os Meninos” teria perfil essencialmente tecnológico, atuando em ataques cibernéticos, invasões telemáticas, derrubada de perfis e monitoramento ilegal de telefones e sistemas de comunicação.
Vorcaro vai depor direto da Papuda, às 14h, onde está preso. O depoimento será remoto. Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro, também será ouvido pela PF sobre as apurações do mesmo inquérito nesta quarta, às 16h. Ele está preso em Belo Horizonte (MG) e é suspeito de comandar os diálogos com um grupo supostamente formado para intimidar, ameaçar e comprar críticos dos negócios da família.
Conversas extraídas do celular de Vorcaro mostram, por exemplo, o ex-banqueiro dizendo querer “quebrar os dentes” do jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo.
Estratégia da defesa
O ex-banqueiro vai aproveitar a oitiva para reforçar aos investigadores que pode ter muito a contribuir com as investigações sobre fraudes bilionárias no Banco Master em “momento oportuno”. A defesa também reforçará o pedido de liberdade ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob o argumento de que o empresário está preso há quase oito meses sem sequer ser denunciado, e vai insistir que o inquérito sobre “A Turma” sequer aponta haver vítimas.

