Manaus registrou aumento nas notificações de sífilis em 2026, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), monitorados pela Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), nesta terça-feira (6/10). Entre janeiro e 10 de setembro, foram contabilizados 2.952 casos de sífilis adquirida, 1.693 entre gestantes e 267 de sífilis congênita, quando a infecção é transmitida da mãe para o bebê.
Alta mais expressiva é na sífilis congênita
O maior crescimento aparece na média mensal de casos congênitos, que passou de 24, em 2025, para 33 neste ano, uma alta de 37,5%.
A média mensal de notificações de sífilis adquirida entre adultos, excluindo gestantes, chegou a 361 casos em 2026, contra 322 no ano anterior, um crescimento de 12,1%. Entre as gestantes, a média passou de 198 para 208 notificações por mês, alta de 5,1%.
Os valores são as médias oficiais calculadas pela Semsa com base no período monitorado pelo Sinan. Como os dados de setembro são parciais, considerar os nove meses como completos produziria uma média diferente e inadequada para a comparação.
Semsa intensifica ações em outubro
Diante do aumento, a Semsa intensifica durante outubro as ações de prevenção, diagnóstico e tratamento, dentro da campanha “Outubro Verde”. As atividades ocorrerão nas unidades municipais de saúde e em ações externas em escolas, empresas e entidades sociais.
A programação inclui:
- oferta de testes rápidos;
- distribuição de preservativos;
- orientações sobre prevenção;
- encaminhamento para tratamento;
- acompanhamento das parcerias sexuais;
- atividades educativas sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Os testes e os preservativos são disponibilizados gratuitamente pela rede municipal de saúde.
Infecção pode permanecer silenciosa
A enfermeira Ylara Enmily Costa, do Núcleo de Controle de HIV/Aids, IST e Hepatites Virais da Semsa, alerta que a sífilis pode não apresentar manifestações aparentes. “Como a sífilis pode manter-se de forma silenciosa, sem apresentar sinais e sintomas, as pessoas nem sempre procuram o atendimento médico e o ciclo de transmissão é mantido”, afirma.
A recomendação é fazer a testagem periodicamente, principalmente após situações de exposição. Em caso de resultado positivo, o tratamento deve ser iniciado rapidamente e acompanhado até a cura. Mesmo depois de tratada, a pessoa pode contrair a infecção novamente, por isso as parcerias sexuais também precisam ser avaliadas e tratadas quando houver indicação.
Pré-natal é essencial para evitar transmissão ao bebê
O acompanhamento durante o pré-natal é uma das principais medidas para evitar a sífilis congênita. A transmissão pode ocorrer durante a gestação ou no parto, principalmente quando a gestante não recebe tratamento ou quando o esquema terapêutico é iniciado de forma tardia ou inadequada.
Em 2026, Manaus ampliou a estratégia de testagem ao incluir também o segundo trimestre da gravidez. As oportunidades de diagnóstico devem abranger:
- a primeira consulta do pré-natal, preferencialmente no primeiro trimestre;
- o segundo trimestre da gestação;
- o terceiro trimestre;
- o momento do parto ou, em caso de aborto, a ocasião do procedimento.
A ampliação busca identificar a infecção a tempo de concluir o tratamento antes do nascimento e reduzir o risco de transmissão para o bebê.
Sífilis congênita pode provocar complicações
A sífilis é uma IST causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida principalmente por relações sexuais sem preservativo. Na fase inicial, pode surgir uma ferida no pênis, na vagina, na vulva, no ânus, no colo do útero ou em outras áreas de contato. A lesão pode desaparecer mesmo sem tratamento, mas isso não significa que a infecção foi eliminada. Sem atendimento adequado, a doença pode avançar e provocar lesões ósseas, neurológicas e cardiovasculares.
Nos casos congênitos, as consequências incluem:
- aborto espontâneo;
- parto prematuro;
- malformações;
- alterações ósseas;
- problemas de visão e audição;
- deficiência intelectual;
- morte fetal ou após o nascimento.
Outubro Verde começa no dia 14
A abertura oficial da campanha será em 14 de outubro, às 9h, na Unidade de Saúde da Família Dr. José Rayol dos Santos. A mobilização faz referência ao Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro, que em 2026 será lembrado em 17 de outubro. As ações de prevenção, testagem e tratamento continuarão nas unidades de saúde durante todo o mês.

