O proprietário do restaurante onde começou o incêndio que atingiu dois prédios no Centro de Manaus acredita que o fogo tenha se iniciado durante o preparo de frangos na churrasqueira, nesta quinta-feira (15/10). Segundo Jefferson Santos, a gordura liberada pela carne teria alimentado as chamas, que subiram pela estrutura da coifa e alcançaram o imóvel vizinho. O relato é uma hipótese inicial do comerciante, e a causa oficial ainda será investigada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM).
Jefferson, que trabalha há cerca de 25 anos no local, contou que os funcionários assavam frangos quando perceberam o aumento das chamas na churrasqueira. “Foi a churrasqueira. A gente estava assando frango, aí o frango solta muita banha. Começou a deslocar essa banha e subiu o fogo”, relatou. Ele afirmou que os funcionários usaram um extintor assim que viram o fogo, mas não conseguiram controlá-lo por causa da fumaça, que se espalhou rapidamente e obrigou as pessoas a deixar o imóvel. “Quando subiu o fogo, a gente já jogou o extintor, mas não teve como, porque era muita fumaça”, afirmou.
Outra versão
Uma testemunha que acompanhou o início do incêndio apresentou outra versão. Segundo Gabriel Alves, fiscal de loja na região, o fogo teria começado na cozinha do El Shaddai, depois que óleo quente pegou fogo durante o trabalho de uma funcionária. De acordo com os relatos que ouviu, a tentativa de apagar as chamas com água teria feito o fogo se espalhar rapidamente até o teto. “Na El Shaddai, aconteceu que, segundo relatos, uma funcionária estava trabalhando e, nisso, o óleo quente pegou fogo. Ao invés dela fechar com a tampa, ela tacou água. Nisso, o fogo se alastrou para cima, pegou no teto e começou a pegar fogo”, relatou.
As duas versões ainda precisam ser confirmadas pela perícia técnica. As informações preliminares indicam que as chamas alcançaram a coifa do restaurante e avançaram para o prédio vizinho.
Fumaça e evacuação
A fumaça intensa tomou conta da Rua Doutor Moreira e pôde ser vista de diferentes pontos da região central. Comerciantes fecharam estabelecimentos por causa do risco de propagação. O Edifício Ajuricaba foi evacuado preventivamente, e, segundo a administração, todos os funcionários saíram em segurança.
Antes da chegada e durante a atuação dos bombeiros, comerciantes e pessoas que estavam nas proximidades ajudaram a conter o avanço do fogo. Brigadistas de uma loja de eletrodomésticos e um bombeiro militar que estava de folga participaram dos primeiros trabalhos, e uma rede varejista da região forneceu água.
Operação dos bombeiros
A operação foi ampliada ao longo do dia e chegou a mobilizar 48 bombeiros e 12 viaturas. Equipes de atendimento pré-hospitalar fizeram atendimentos no local, principalmente por causa da exposição à fumaça. Não houve confirmação de mortes ou feridos graves.
O fogo foi confinado, mas os bombeiros continuaram combatendo focos remanescentes e fazendo o rescaldo da estrutura. A extensão dos prejuízos ainda não havia sido oficialmente calculada.
Investigação
O comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Orleilso Muniz, afirmou que diferentes hipóteses serão consideradas na investigação, entre elas problemas na rede elétrica, falhas estruturais ou manuseio inadequado de produtos capazes de gerar ignição. A versão do proprietário sobre o acúmulo de gordura na churrasqueira também será analisada. Somente o laudo pericial poderá determinar oficialmente como o incêndio começou.
Interdições
A Rua Floriano Peixoto e parte da Rua Doutor Moreira, no sentido da Praça da Polícia, foram interditadas para veículos e pedestres. Policiais militares e agentes de trânsito permaneceram na região para impedir a aproximação de pessoas e garantir espaço para o trabalho das equipes de emergência.

