A recente escalada de hostilidades entre Israel e o grupo xiita Hezbollah resultou em uma crise humanitária sem precedentes no Líbano, com mais de 667 mil pessoas forçadas a deixar suas casas em um período de apenas sete dias. A estimativa alarmante é da Agência das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), que monitora a situação por meio de registros governamentais libaneses.
Karolina Lindholm, representante da Acnur no Líbano, alertou para a gravidade da situação, destacando um aumento de mais de 100 mil deslocados em um único dia. “Os números continuam a subir”, afirmou, evidenciando a urgência da crise.
Paralelamente, a organização Human Rights Watch (HRW) apresentou acusações graves contra Israel, alegando o uso de fósforo branco em áreas residenciais no sul do Líbano, especificamente na cidade de Yohmor. Embora Israel tenha declarado desconhecer as acusações e não tenha confirmado o uso da substância em áreas civis, a HRW ressalta que o uso de fósforo branco em zonas habitadas é proibido pelo direito internacional devido aos graves ferimentos e incêndios difíceis de controlar que pode causar.
O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos manifestou preocupação com as ordens de evacuação emitidas por Israel para mais de 100 cidades e vilarejos, que abrigavam dezenas de milhares de pessoas. A ONU considera que tais ordens podem configurar deslocamento forçado, uma prática proibida pelas leis internacionais, e questiona sua eficácia e conformidade com o direito humanitário.
As autoridades israelenses justificam as ordens de evacuação como medidas necessárias para mitigar os efeitos dos ataques contra civis, garantindo a precisão das operações e a minimização de danos colaterais. “Ao longo dessas operações, as Forças de Defesa de Israel (FDI) mantiveram o compromisso com a precisão e a mitigação de danos a civis, emitindo alertas de evacuação para áreas próximas à infraestrutura do Hezbollah”, declarou um porta-voz das FDI.
Por sua vez, o Hezbollah declara que suas ações contra Israel são atos de retaliação legítima e autodefesa, em resposta aos ataques que se estendem por 15 meses e que não cessaram mesmo durante o período de trégua acordado em novembro de 2024. O grupo libanês reportou ataques a cidades israelenses nesta terça-feira (10) como retaliação a uma suposta “agressão israelense criminosa” contra diversas localidades libanesas.
A atual intensificação do conflito remonta à guerra na Faixa de Gaza, quando o Hezbollah iniciou ataques ao norte de Israel em solidariedade aos palestinos. O governo israelense vinha argumentando que as incursões visavam desmantelar infraestruturas do Hezbollah e impedir sua reestruturação militar.
A crise humanitária se agrava com o fechamento de 43 centros de atenção primária à saúde e dois hospitais em decorrência das ordens de evacuação. Além disso, cerca de 100 mil pessoas encontram-se abrigadas em 469 centros de acolhimento em todo o Líbano, e estima-se que 78 mil sírios residentes no país tenham retornado à Síria, fugindo da guerra.

