Especialistas apontam que a resiliência do Irã frente a sanções e retaliações, somada aos impactos no comércio global de petróleo, está forçando os Estados Unidos a reconsiderar seus objetivos de “mudança de regime” em Teerã. A análise sugere que Washington pode estar se encaminhando para o encerramento do conflito sem atingir essa meta.
Segundo o cientista político Ali Ramos, o Irã demonstrou capacidade de afetar sistemas de vigilância americanos no Oriente Médio e impor perdas significativas à cadeia de suprimentos de petróleo. Ele destaca que a topografia iraniana e o alto custo de uma invasão terrestre inviabilizam uma ação rápida e decisiva por parte dos EUA, levando a um cenário de “atoleiro” para a administração atual.
Relatos, incluindo análises de imagens de satélite e vídeos divulgados pelo New York Times, indicam que Teerã conseguiu comprometer o sistema de radares dos EUA em países como Kuwait, Catar, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Essa degradação da capacidade de vigilância aumenta o risco de baixas para os EUA e reduz o tempo de alerta em Israel contra possíveis ataques, dificultando a interceptação de mísseis.
Diante desse cenário, aliados de Washington na região do Golfo Pérsico, como o Catar, têm manifestado a urgência de negociações e a suspensão dos ataques. Majed al-Ansari, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, ressaltou que a rápida chegada a uma mesa de negociações serviria aos interesses regionais, à paz internacional e à estabilidade econômica global.
Alexandre Pires, professor de relações internacionais, sugere que os EUA possivelmente esperavam uma mudança de regime mais rápida, talvez associada à sucessão do Líder Supremo Ali Khamenei. No entanto, a continuidade e a resiliência do regime iraniano, com a escolha de uma nova liderança sem negociação aparente, sinalizam a permanência da linha política atual.
A pressão sobre os mercados de petróleo, que chegou a levar o presidente americano Donald Trump a considerar relaxar sanções contra a Rússia para estabilizar os preços globais, também tem gerado preocupações. O aumento dos preços dos combustíveis nos EUA tem impactado aliados de Trump tanto internamente quanto no cenário internacional, possivelmente influenciando uma mudança no foco da estratégia americana.
Apesar de declarações recentes de Donald Trump indicando uma possível abertura para negociações com Teerã, a posição de Israel pode ser um fator de resistência ao fim do conflito, com o objetivo de enfraquecer o Irã. Contudo, o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, afirmou recentemente que o país não busca uma guerra sem fim e que consultará os aliados americanos quando apropriado.
A manutenção do regime iraniano, segundo Ali Ramos, representaria uma derrota para a Casa Branca, que veria o Irã como o primeiro país a atacar bases americanas em larga escala e sobreviver. Isso, por sua vez, poderia minar a confiança dos países da região na capacidade de segurança dos EUA, levando a uma reconfiguração da arquitetura de poder e segurança no Oriente Médio, com aliados buscando novos pactos de defesa.

