Um acalorado debate marcou a audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, reunindo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, com parlamentares. A discussão central girou em torno da proposta de redução da jornada semanal de trabalho, evidenciando um forte embate entre a base governista e a oposição.
Deputados alinhados ao governo, como Orlando Silva (PCdoB-SP) e Rubens Pereira Júnior (PT-MA), defenderam a medida, argumentando que a atual carga horária de 44 horas semanais é um modelo ultrapassado, herdado da era industrial, que prejudica a saúde física e mental dos trabalhadores. Erika Kokay (PT-DF) e Luiz Couto (PT-PB) reforçaram o argumento, apontando que o excesso de horas laborais acarreta um custo bilionário para a Previdência Social, em decorrência de doenças psicossociais e acidentes de trabalho. Eles sugeriram que a redução da jornada poderia impulsionar a produtividade e o bem-estar no ambiente profissional, beneficiando especialmente as mulheres que conciliam a vida profissional com responsabilidades domésticas.
Em contrapartida, parlamentares da oposição e representantes de setores produtivos manifestaram profunda apreensão quanto às consequências econômicas da redução da jornada. Deputados como Julia Zanatta (PL-SC) e Mauricio Marcon (PL-RS) levantaram dúvidas sobre a sustentabilidade financeira de manter salários sem um aumento correspondente na produtividade, citando que o Brasil ainda está aquém dos índices de produtividade de nações desenvolvidas. Zanatta argumentou que a carga tributária é o principal entrave para o trabalhador, e não a jornada de trabalho. A preocupação com o fechamento de micro e pequenas empresas, que poderiam ter dificuldades em absorver novos custos, e o consequente aumento da informalidade também foram apontados. Luiz Gastão (PSD-CE) alertou para o potencial impacto negativo em setores como saúde e turismo, com estimativas de aumento de custos superiores a 26%.

