A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado no Senado avançou em suas investigações nesta quarta-feira (11), aprovando mais de 20 requerimentos que visam desvendar conexões entre o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o setor financeiro, com foco especial na Avenida Faria Lima, em São Paulo, e no grupo conhecido como “A Turma”, ligado a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Entre as medidas aprovadas estão quebras de sigilos fiscal, bancário e telefônico, pedidos de informações e convocações de diversas personalidades. O objetivo é apurar o suposto braço financeiro do PCC na região da Faria Lima e as atividades do grupo “A Turma”, que, segundo as investigações, seria utilizado por Vorcaro para monitorar e intimidar adversários.
O foco nas operações do Banco Master se intensificou com a aprovação da quebra dos sigilos do “Sicário”, Luiz Phillipi Mourão, um aliado de Vorcaro que foi preso pela Polícia Federal (PF) na semana passada e que teria cometido suicídio. A CPI também solicitou informações ao Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o caso Mourão e convocou o cunhado de Daniel Vorcaro, Fabiano Campos Zettel. Segundo o senador Humberto Costa (PT-PE), Zettel teria conexões financeiras diretas com a Reag Investimentos e o Banco Master, instituições apontadas como braços financeiros do PCC.
A CPI também voltou suas atenções para o Banco Central (BC), aprovando a convocação de ex-dirigentes da instituição, Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana. De acordo com o senador Humberto Costa, relatórios da PF indicam que ambos teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro, auxiliando na compra do Banco Máxima (posteriormente renomeado como Banco Master) e fornecendo informações sigilosas sobre operações do BC.
A investigação na Faria Lima incluiu a quebra de sigilos de empresários e investigados por associação com a lavagem de dinheiro do PCC. A operação Carbono Oculto da PF teria desvendado um esquema que movimentou R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, utilizando postos de combustíveis e fundos de investimento. Entre os alvos da quebra de sigilo estão Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, supostamente responsável pela gestão de distribuidoras de combustíveis usadas para lavagem de dinheiro, e Mohamad Hussein Mourad, apontado como um dos principais operadores do esquema, com supostas ligações com o Banco Master.
Empresários como Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, considerado “sócio oculto” da empresa, também tiveram seus sigilos quebrados. A Precisa Medicamentos já foi alvo de investigações sobre esquemas de corrupção durante a pandemia. Segundo o senador Humberto Costa, as empresas de Maximiano teriam sido usadas para lavagem de dinheiro do PCC e para fraudes contra o sistema financeiro e o patrimônio público.
O grupo “A Turma” também foi um dos focos da CPI. A comissão aprovou a convocação de Ana Cláudia Queiroz de Paiva, que teria participado dos pagamentos para as atividades do grupo, e a quebra de sigilo de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF preso como operador do grupo. A CPI também quebrou sigilos de empresas ligadas ao Banco Master, como a King Participações Imobiliárias e a King Motors, além de empresas donas de aviões utilizadas para transportar aliados de Vorcaro. Há suspeitas de que altas autoridades da República teriam se utilizado dessas aeronaves.
Por fim, a CPI convidou para depor o empresário Vladimir Timerman, que vinha denunciando fraudes no Banco Master há cerca de um ano.

